Serviços ou Produtos? Eis a questão

Serviços ou produtos

Acredito que a primeira pergunta que se faz quando se pretende empreender é: vou fazer um produto ou vou prestar serviço?

Vamos refletir sobre este tema.

Existe uma premissa bastante difundida na literatura sobre empreendedorismo que diz que é mais fácil empreender em uma área na qual já se tem domínio do assunto. As chances de sucesso aumentam. Isso é verdade e minha experiência profissional diz muito isso. Fundei minha empresa para fazer uma atividade similar à que eu fazia na empresa em que eu trabalhava, mas para outros mercados.

Uma resposta preliminar seria: se você sempre trabalhou com desenvolvimento de produto, contrua uma empresa com um produto. Se você trabalhou com prestação de serviços, monte uma empresa de prestação de serviços.

Em minha recente experiência conhecendo o mercado de eletrônica nacional, esta resposta não faz muito sentido. Por várias razões:

  • No desenvolvimento de um produto, a engenharia é uma parte do trabalho (e da demanda de recursos). Ouso dizer que é menos da metade, dependendo do tipo de produto que está em desenvolvimento;
  • Serviços podem ser produtizáveis. Ou seja, oferecer serviços da mesma forma como se oferece produtos;
  • Existem alguns serviços que podem ser desempenhados por máquinas, que não se tratam de produtos de prateleira.

Vamos tomar como exemplo o mercado de TV por assinatura. As operadoras prestam serviço de televisão, permitindo com que você inclua novos canais em sua televisão. A forma de pagamento é uma mensalidade, o que corresponde a uma forma de pagamento padrão de prestação de serviços. Quem presta o serviço de fato são máquinas: tanto a transmissora de canais quanto a receptora, que fica ligada à sua televisão. E, na hora de vender, as operadoras dividem os conjuntos de serviços em atividades fixas e em partes de forma que, na hora que você compra, parece que está adquirindo um produto.

Voltando ao cotidiano de engenheiros de desenvolvimento, creio que seja difícil imaginar como colocar um produto na praça com apenas a experiência de desenvolvimento de bancada. Produto implica em marketing, canais de venda e divulgação. São desafios bem grandes para gente nova neste ramo e uma parceria com alguém que entenda desses assuntos é fundamental. O planejamento preliminar aqui é de suma importância. Por outro lado, projetar um equipamento que preste um serviço que atenda a uma demanda de uma determinada região, baseado em conhecimentos adquiridos nas atividades profissionais atuais é bem mais simples de executar. E começar. Porém, planejamento é necessário para que a empolgação inicial não vire um drama.

De qualquer forma, o nascimento de uma nova empresa é a combinação de oportunidade, paixão e conhecimento. Seja o resultado disso um produto, um serviço ou os dois.

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Sócio fundador da Phi Innovations e Professor das disciplinas de sistemas de tempo real e padrões e aplicações de sistemas operacionais do curso de pós graduação em eletrônica embarcada automotiva oferecido pelo SAE (Society of Automotive Engineers).

Formado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP, com especialização na Ecole Centrale de Lyon, na França, atua há mais de 10 anos em projetos de sistemas embarcados. Trabalhou com projetos de hardware e software embarcado para os setores de pagamento eletrônico, aeroespacial, defesa, segurança, equipamentos médicos, telecomunicações e energia. Atuou em projetos no Brasil e no exterior (França e Alemanha).

Começou suas atividades com Linux em 1996 e suas atividades empreendedoras em 2008. É um geek e apaixonado pelo Do-It Yourself (DIY).

Licença Creative Commons Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

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Wagner Augusto Silva Rodrigo
Wagner Augusto Silva Rodrigo
09/10/2014 00:12

Muito bom o artigo! Considero esse trecho o ponto chave: “Serviços podem ser produtizáveis. Ou seja, oferecer serviços da mesma forma como se oferece produtos;”

Marcelo Rodrigo Dos Santos Andriolli
Marcelo Andriolli
08/10/2014 16:43

Bacana o artigo Flávio!! É sempre bom ter relatos de quem estávno “campo de batalha” do empreendedorismo na área engenharia/TI e afins!

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