Resenha: DesignSpark PCB

DesignSpark PCB

Muita gente conhece os softwares de projeto de placas de circuito gratuitos disponíveis no mercado: Eagle, Circuitmaker. São excelentes softwares, mas eles têm um problema: é necessário uma conta e divulgar os projetos realizados em plataforma online.

 

Mas como ficam aqueles que precisam de um projeto armazenado em sigilo e que não disponham de dinheiro para pagar licenças completas do Orcad, Altium e demais softwares do tipo? Bom, para estes, existe o DesignSpark PCB.

 

DesignSpark PCB

 

Já aviso: isso não é um tutorial. A documentação da própria ferramenta é muito amigável. Tanto que confesso que eu aprendi mexendo e lendo o fórum... E queria que vocês buscassem conhecer e aprender a usar esta ferramenta.

 

 

O DesignSpark PCB

 

O DesignSpark PCB é um programa de captura de esquemático e leiaute de placas de circuito de código fonte fechado, criado pela Zendesk e patrocinado pela distribuidora de componentes européia RS Components. Seu uso é liberado para fim comercial mediante a criação de uma conta, tal qual os demais. A diferença principal, entretanto, está no fato de que os projetos criados são armazenados no computador local e não são compartilhados.

 

O DesignSpark PCB possui todas as funcionalidades que os programas de CAD para eletrônica usualmente possuem:

  • Captura de esquemático;
  • Edição de leiaute;
  • Gerenciamento de biblioteca de componentes;
  • Integração com as demais ferramentas da suíte DesignSpark.

 

 

A Captura de Esquemático

 

O DesignSpark é, como ponto mais positivo, muito fácil de usar. Por outro lado, infelizmente, não é muito bom para a concepção de esquemáticos extremamente completos e hierarquizados. Ele é um tanto flat, remontando aos softwares de captura de esquemático mais antigos.

 

As conexões entre páginas são feitas diretamente pelos nomes de net, uma vez que todas as nets em um projeto são globais. Neste caso, a adoção de boas práticas, que é exibir o nome de todas as nets que não sejam um fio ponto a ponto, é mais que necessária: essencial para se entender um esquemático impresso.

 

A biblioteca de componentes é ampla e é gerenciada internamente. Embora não seja muito atual, a adição e a importação de novos componentes é simplificada. Ambas podem ser feitas diretamente ou pelo programa Library Loader, da SamacSys, que auxilia neste processo. É possível inclusive encomendar a adição de símbolos e até footprints pelo SamacSys (ou pelo site atrelado ao serviço). Por falar em footprints...

 

 

O Projeto de PCIs

 

Com um editor relativamente simples, o DesignSpark PCB possui todas as ferramentas usuais dos programas de leiaute existentes. Lembra muito, pela simplicidade, o Tango.

 

O que eu senti falta: a possibilidade de rotear barramentos e um melhor ajuste dos cantos e curvas (45° as vezes não ficam muito bons) e etc. Todos problemas contornáveis e creio conhecido pelos desenvolvedores: o foco é sempre a facilidade de uso, nunca um incremento incontrolável de comandos e funcionalidades.

 

Há, integrada na ferramenta, a possibilidade também de gerar footprints. Para quando o fabricante não fornece tais footprints, é possível usar o wizard para gerar componentes o mais próximo possível do resultado final ou o próprio SamacSys.

 

De mais, o DRC é suficiente, o cálculo de impedância é aceitável, o autoplacement e o autorouting são, como de costume, fracos.

 

 

Meu Veredito

 

Eu gostei de usar o DesignSpark PCB. Ele não se compara em termos de funcionalidade ao Altium, porém, para quem só faz pequenos leiautes (como eu) ou está começando, é uma boa pedida.

 

A integração com um distribuidor de componentes é interessante: construindo a biblioteca direito, é possível fazer o projeto amarrado já com uma cotação, para se ter ideia de quanto determinada placa irá custar.

 

Eu comecei a usar o DesignSpark PCB pois antes dele eu usei o DesignSpark Mechanical: projetei alguns móveis com ele e o resultado final foi bom. Percebi que a mesma empresa tinha um CAD para desenvolvimento de hardware e testei. E gostei.

 

E sim, é possível integrar os dois. Segue o resultado de uma brincadeira que fiz, que é um ARDUINO M0 com um FPGA:

 

DesignSpark PCB: ARDUINO M0 com um FPGA

 

E fazia mais de 10 anos (o último foi em 2005) que não me metia com leiaute ou até com esquemático. Legal, não?

 

 

Para saber mais

 

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Ricardo Tafas
Ricardo F. Tafas Jr é Engenheiro Eletricista pela UFRGS com ênfase em Sistemas Digitais e mestre em Engenharia Elétrica pela PUC com ênfase em Gestão de Sistemas de Telecomunicações. É também escritor e autor do livro Autodesenvolvimento para Desenvolvedores. Possui +10 anos de experiência na gestão de P&D e de times de engenharia e +13 anos no desenvolvimento de sistemas embarcados. Seus maiores interesses são aplicação de RH Estratégico, Gestão de Inovação e Tecnologia Embarcada como diferenciais competitivos e também em Sistemas Digitais de alto desempenho em FPGA. Atualmente, é editor e escreve para o "Repositório” (https://www.repositorio.blog), é membro do editorial do Embarcados (https://embarcados.com.br) e é Especialista em Gestão de P&D e Inovação pela Repo Dinâmica - Aceleradora de Produtos.

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