Qualcomm e USI anunciam fábrica de módulos semicondutores no Brasil

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No dia 5 de Fevereiro de 2018 foi assinado em São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, a criação de uma Joint Ventures entre Qualcomm e USI para a construção de uma fábrica de módulos semicondutores e um centro de desenvolvimento e pesquisa para Internet das Coisas e Smartphones, além de um centro para que municípios e universidades possam discutir e viabilizar cidades inteligentes. Estiveram presentes na cerimônia diversos políticos, entre eles Gilberto Kassab, Ministro de Ciência e Tecnologia, Maximiliano Martinhão, Presidente da Eletrobras, Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo e o vice-governador de São Paulo, Márcio França. Presidentes e CEOs de empresas que trabalham com celulares e IoT, além dos principais meios de comunicação do país, também estiveram por lá para esse anúncio e assinatura do termo de compromisso.
 
A fábrica foi anunciada nessa segunda-feira pelo presidente da Qualcomm na América Latina Rafael Steinhauser, por Cristiano Amon, presidente da Qualcomm e C. Y. WEY da USI e prevê um investimento de 200 milhões de dólares para que esse plano se torne real. A fábrica deve começar a operar em 2020 a pleno vapor, mas a partir de março deste ano ela já começará a ser instalada, primeiramente com trabalhos de software, desenvolvimento e, provavelmente, testes, até a montagem do módulo. Nesta fábrica as empresas envolvidas esperam empregar entre 800 e 1000 profissionais altamente qualificados até 2020. Para isso, ambas as empresas pretendem capacitar esses profissionais lá fora, trazer engenheiros de lá para viabilizar o treinamento ou contratar mão de obra estrangeira qualificada.
 
O acordo para implamantar a fábrica no Brasil é fruto de um trabalho que vem sendo desenvolvido com o governo federal desde 2012. O plano nacional de Internet das Coisas e a visão de que o mercado de IoT no Brasil vai movimentar bilhões nos próximos anos fez com que a Qualcomm fortalecesse a sua confiança nesse projeto. Além disso, incentivos fiscais como redução de ICMS pelo estado de São Paulo e linhas de crédito no BNDES, do governo federal, foram oferecidos para viabilizar essa fábrica. Não foram informados detalhes sobre os incentivos.
 
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Síntese do relatório final do estudo do plano Nacional de IoT- Pagina 15. Fonte: https://www.bndes.gov.br/wps/wcm/connect/site/445c4dd8-069b-47c1-b191-767caee4a5ae/produto-9B-relatorio-final-sintese-do-estudo-de-IoT.pdf
 
No Brasil vão ser montados módulos eletrônicos chamados de QSiP, que contêm cerca de 400 componentes que fazem parte de uma placa-mãe de celular. Ou seja, dentro deste módulo há parte da eletrônica principal que está presente em um smartphone. Entre esses componentes há vários dies, incluindo o SnapDragon, processador mais popular da Qualcomm, entre outros dies. A utilização de um módulo desses no projeto de um smartphone ou de um equipamento para IoT faz com que diversas horas de engenharia sejam poupadas, diminuindo, assim, o time-to-market e reduzindo custos de projeto. Também permite que sejam feitos aparelhos celulares mais finos. Durante a apresentação do módulo, Rafael Steinhauser mostrou um celular bem fino, ainda em protótipo, feito com um dos módulos. É a primeira vez que esses módulos são montados no mundo e a Qualcomm e USI esperam que essa produção atenda o mercado nacional e que, após alguns anos, também possa atender o mercado mundial de smartphones e IoT. Então, conforme apontou o presidente da Qualcomm durante a coletiva, ao invés de montar chips no Brasil, a Qualcomm inovou e trouxe algo diferente e único para o Brasil, apostando na indústria nacional.
 
E o local escolhido para a implantação da fábrica foi a região de Campinas. Ainda não foi anunciada a cidade onde será sediada a fábrica, que deve ocorrer até o mês que vem. Amon deixou claro durante a entrevista que a Qualcomm é uma empresa fabless (sem fábrica) e por isso a USI, lider em fabricação de Circuitos Intergrados no mundo, viabilizou esse projeto, que vem sendo trabalhado há muito tempo com o governo brasileiro.

Um golaço da Qualcomm e USI

 
Durante a sua fala, o governador Geraldo Alckmin parabenizou as empresas que firmaram a parceria, se referindo a Messi e Neymar: “É como Messi e Neymar pudessem jogar juntos novamente. Apenas o investimento já seria maravilhoso – 200 milhões de dolares, mas a parceria também traz empregos e inovação. Esse acordo é um fato importante e histórico para o Brasil estar na indústria de semicondutores”.
 
De fato, desde a década de 80 sonhamos com uma indústria de semicondutores em terras nacionais. Esse acordo firmado hoje pode ser o início de um marco na história do Brasil.
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Ricardo Miguel
Ricardo Miguel
12/02/2018 22:19

Torço para que este empreendimento se realize. Mas em se falando de políticos envolvidos e o próprio BNDES, fico receoso que cumpra o cronograma ou esteja em risco. O BNDES financiou parceladamente a iniciativa de uma fábrica de semicondutores em Ribeirão das Neves (MG) e deixou de pagar parcelas nas datas acordadas logo que o atual governo federal assumiu a administração. Consequentemente, a empresa passou por dificuldades financeiras e suas subcontratadas também. Me pareceu que o BNDES não tinha dinheiro em caixa (e acredito que ainda não têm). E agora, será que há dinheiro para financiar um projeto deste valor… Leia mais »

Clayton Da Silva Costa Junior
Reply to  Ricardo Miguel
16/02/2018 09:58

Em se tratando de Politica fico com o pé atrás, BNDES financiando porto em Cuba e construções na Argentina, poh e o desenvolvimento Nacional? A sigla não quer dizer isso?
Infelizmente acredito que esse empreendimento não se realize e se depender do governo brasileiro ai que não sai do papel.

Clayton Da Silva Costa Junior
08/02/2018 16:04

O texto está bonito até citar futebol ai estragou um pouco.
E fábrica Nacional de microcontroladores não tem?
Abraços

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