Pinguino: Programando PIC como Arduino

Pinguino

No Brasil uma das linhas de microcontroladores mais utilizada é a PIC, da Microchip, ensinada em cursos técnicos, profissionalizantes e de graduação nas áreas de eletrônica e automação. Um de seus maiores representantes é o modelo PIC18F4550, caracterizado por uma arquitetura RISC de 8 bits com USB integrado, dentre muitas coisas mais.

 

Porém, programar código para PIC não é uma coisa das mais triviais, e algumas plataformas como MikroC tentam tornar o desenvolvimento mais fácil e intuitivo, com código mais enxuto e bibliotecas a tira gosto. Programar então usando as famosas plataformas como CCS e MPLAB, é para o espartanos de plantão.

 

Juntando o útil ao agradável, muitos dos entusiastas que lidam com PIC também gostam de Arduino (lá vem as pedras!!!). Então...Que tal unir as duas coisas? Não seria muito interessante e prático ter uma ferramenta que permitisse programar PIC com a mesma abordagem com que o Arduino é programado? Desta forma surgiu o Pinguino!

 

Pinguino

 

O projeto Pinguino é OpenSoftware e OpenHardware, ou seja, todo o software desenvolvido e esquemáticos de placas utilizados são disponibilizados abertamente. E para atender os objetivos de praticidade, o Pinguino faz uso de alguns modelos PIC18F e PIC32, que possuem USB integrado, de modo a permitir o desenvolvimento de código para PIC com a mesma facilidade com que a ferramenta Arduino IDE permite para seus correlatos. Ou seja, com a placa em mãos, cabo USB plugado e ferramenta aberta no computador, basta alguns cliques e o código já está carregado e em execução. Sem gravador, sem muitos fios. Rápido e prático.

 

Pinguino
Figura 1 - Logo do Pinguino e lema

  

Apenas para elucidar melhor, seguem as famílias de PIC suportadas pela ferramenta:

  • 8 bits : PIC18Fx550, PIC18Fx5K50, PIC18Fx6J50 e PIC18Fx7J53  (x: indica qualquer variante numérica);
  • 32 bits: PIC32MX.

 

Além disso, o projeto fornece esquemáticos de placa e vende também kits compatíveis.

 

O Pinguino é composto por uma IDE, onde estão todos os artefatos necessários ao desenvolvimento, como editor de código, comandos para compilação e gravação de código no PIC, além de depuração via USB. E para usufruir da plenitude da ferramenta, é bom que o PIC utilizado também esteja com o firmware Pinguino gravado, de modo que o programa possa ser diretamente gravado pela IDE via USB.

 

Gravação do Firmware Pinguino

 

Antes de começar, o primeiro passo é gravar o firmware Pinguino em um PIC compatível com a ferramenta. Para este exemplo irei utilizar o PIC18F4550, juntamente com a placa PROTO'n PIC18F4550, da SmartRadio. Eu possuo em mãos um gravador PicKit2, e fazendo as devidas conexões de pinagem, fiz a gravação do firmware Bootloader_v4.13_18f4550_X20MHz.hex, para PICs compatíveis de 8 bits.

 

PROTOn PIC18F4550
Figura 2 - Plata PROTO'n PIC

  

Em seguida, é necessário ter em mãos um gravador ICD2, PicKit2, PicKit3 ou compatíveis, de modo a gravar o bootloader no PIC.

 

Para quem ainda não é muito familiarizado com as ligações e procedimentos, apenas mostrarei um breve descritivo de como fazer essa parte, sem demais delongas. Na Figura 3 é mostrado o esquema de ligações do PicKit2/PicKit3 para gravação do microcontrolador PIC18F4550.

  

picKitPic
Figura 3 - Esquema de pinagem do PicKit2 para gravar PIC18F4550

 

E na Figura 4, mostro como ficaram as conexões na placa PROTO'n PIC18F4550, conforme mostrado na Figura 3. Não ficou diferente, exatamente pelo fato de que a placa PROTO'n PIC basicamente espelha os pinos laterais do PIC. O único "porém" é a necessidade de possuir fios (ou "jumpers") com ponta fêmea, de modo a ter acesso e conexão aos terminais da placa.

 

Quando conectado ao PicKit2 ou PicKit3, o microcontrolador PIC é energizado pelos sinais VCC e GND do PicKit. Todavia, mantenho a placa PROTO'n PIC conectada via USB.

 

PROTO'n PIC - Gravacao com PicKit2
Figura 4 - PROTO'n PIC conectada para gravação com PicKit2

 

 

Com o PICKit 2 devidamente conectado ao dispositivo PIC 18F4550, e com o programa PICkit 2 aberto, selecionado o arquivo *.hex correspondente ao bootloader Pinguino, basta então proceder com a gravação do firmware no microcontrolador, clicando no botão "Write" do PICkit 2, tal como mostrado na Figura 5.

 

pickit2Pinguino

Figura 5 - Imagem com destaque para o PicKit2 para gravar 

Pronto!

 

O firmware Pinguino gravado possui as seguintes características:

  • A aplicação do usuário inicia sem delay algum em Power-on Reset;
  • O bootloader só será iniciado se o botão de Reset for pressionado!
  • O modo de bootloader ficará ativo até que um programa seja carregado, sem tempo limite;
  • Um LED ficará piscando com período T=2*43ms.

 

Considerações iniciais

 

Após ter gravado o firmware do bootloader Pinguino no microcontrolador PIC18F4550, agora é a hora de instalar o Pinguino IDE e demais componentes correlacionados. Entretanto, o processo envolve também a instalação de drivers não assinados digitalmente, principalmente os drivers do Bootloader e de CDC do Pinguino.

 

De modo mais direto, veja no Escreve Assim o guia para reiniciar o Windows 8.1 desativando a assinatura de drivers. Após isso, proceda então com os tópicos adiante 🙂

 

 

Instalação da ferramenta

 

Para instalar o Pinguino IDE, basta acessar o link de download e baixar o Pinguino para o seu correspondente sistema operacional, seja Windows, Linux ou Mac. Caso escolha Windows, você será direcionado para este link de download, e como referência para o presente artigo foi utilizado o Pinguino v1.1.0-beta3 release. Um pouco mais abaixo na página está o link de download para o arquivo "pinguino-11.2015.02.02-setup.exe". Clique nesse link para iniciar o download.

 

Completado o download, inicie o programa executável de instalação, e será aberta uma janela para escolha de idioma tal como mostrado na figura 6. É possível escolher o idioma Português Brasileiro na instalação.

 

Instalação do Pinguino - Configuração do idioma
Figura 6 - Início da instalação do Pinguino - Escolha do idioma

 

Depois de selecionar o idioma, o processo de instalação então segue com uma janela de boas-vindas, em português do Brasil, por exemplo, como mostrado na Figura 7. Clique em "Instalar" para continuar com o processo.

 

Instalação do Pinguino - Tela 1
Figura 7 - Janela do guia de instalação em português brasileiro.

 

Após isso, é aquele "procedimento padrão", clique em "Instalar", concorde com demais contratos e "próximo", "próximo", etc, até que o programa inicie sua instalação, propriamente. Nesta versão do Pinguino o instalador está bem versátil pelo seguinte aspecto: Ele basicamente faz o download e a instalação de todos os componentes necessários para a execução do Pinguino, tais como Python2.7, PySide, PyUSB, libusb, compilador sdcc, e demais. Esse processo pode demorar em decorrência do download dos componentes, então, paciência! Para se ter uma noção do processo, segue a janela mostrada pela Figura 8, destacando o download e instalação dos componentes.

  

Instalação do Pinguino - Tela 2
Figura 8 - Exemplo de andamento de instalação

 

Durante o processo, você também será questionado se deseja instalar os drivers para a placa do Pinguino. Clique em "Yes" (Sim), conforme mostrado na Figura 9, e prossiga com os passos mostrados, inclusive com a instalação do LibUSB Win32 (procedimento padrão, próximo, próximo, etc! 🙂

 

Instalação do Pinguino - Drivers
Figura 9 - Janela para instalar ou não drivers da placa Pinguino

 

Não sei se com vocês o processo será diferente, mas comigo não deu muito certo esta parte! Ele irá instalar os drivers, e no final será aberta uma janela para você configurar a libUSB, de modo a criar um "filtro" para o Pinguino via USB. Entretanto, ela não irá aparecer para você selecionar nesta etapa! Então é normal, não se preocupe. A finalização deste processo fica para mais adiante. Após essa última parte dos drivers, a instalação é concluída, e você poderá abrir a IDE do Pinguino, que é desenvolvida em Python.

 

A IDE é bem direta e objetiva, possuindo botões para criar, abrir e salvar programas, fazer setup de projeto, compilar e gravar o código na parte de cima da IDE, e de modo sobremaneira interessante, possui uma janela lateral com destaque para exemplos de código, tais como os presentes no Arduino IDE, por exemplo. Na parte de baixo da IDE está presente um console para o terminal Python. Um panorama geral da IDE é mostrado na Figura 10.

 

Pinguino IDE
Figura 10 - Panorama geral da IDE Pinguino

 

Como mencionado, faço um destaque para a presença da janela lateral de "Tools" (Ferramentas), que permite acessar exemplos de códigos, navegar por sobre a estrutura de projeto e realizar pesquisa sobre o projeto também, tal como mostrado na Figura 11.

 

Pinguino - Exemplos
Figura 11 - Destaque para a janela com exemplos da IDE

 

Outro aspecto interessante da interface da Pinguino IDE é o botão presente na parte superior direita, chamado de "Graphical Mode", que muda a forma de programação do Pinguino IDE para diagrama de blocos, conforme mostrado na parte esquerda da janela do programa, como mostrado na Figura 12.

 

Pinguino - Blocks
Figura 12 - Indicativo do modo "Blocos" do Pinguino.

 

Bom, até aqui já fizemos a gravação do bootloader, já instalamos a Pinguino IDE. Agora... Falta mandar bala nesse bendito driver!

 

Um libUSB para o Pinguino!

 

Antes de começar, é necessário firmar uma base forte para um elemento primordial para toda a ação do Pinguino: A USB. A plataforma é baseada em Python e faz uso do PyUSB, e,  consequentemente, da biblioteca libUSB para lidar com a comunicação USB com os microcontroladores PIC suportados.

 

Infelizmente, a instalação do Pinguino não cobre 100% dos detalhes necessários para fazer a biblioteca e os drivers operarem no Windows 8.1 x64, por exemplo, que é o sistema que eu utilizo e usarei como base. Semelhantemente, acredito que as rotinas aqui também sirvam para Windows 7 x64 e o 8 x64 também.

 

A biblioteca libUSB é a que fará o registro do driver do bootloader Pinguino para o seu devido funcionamento em ambiente Windows. Para isso, é preciso baixar a libUSB por completo (a que vem no Pinguino parece ser mais "enxugada"...), e fazer a instalação. Lembrando que é preciso estar rodando o Windows com a assinatura de drivers desativada!!!

 

Para instalar a biblioteca libUSB nativa, é necessário fazer o download do seu instalador na página SourceForge do projeto. A biblioteca não é instalada, ela é fornecida em formato zip. Eu recomendo você descompactar o diretório libUSB dentro do diretório da Pinguino IDE, ou seja, descompacte em C:\pinguino-11\, de modo que o diretório da biblioteca baixado fique como "C:\pinguino-11\libusb-win32-bin-1.2.6.0".

 

No diretório descompactado da libUSB, acesse o diretório "bin", e abra o executável inf-wizard.exe como administrador, tal como mostrado na Figura 13.

 

Indicativo do executável inf-wizard.exe
Figura 13 - Indicativo do executável inf-wizard.exe

 

Durante o processo, será necessário clicar o botão reset da placa PROTO'n PIC diversas vezes, pelo fato de que enquanto o driver não estiver devidamente instalado, o bootloader mais recente fica ativo por apenas 10 segundos, e depois será desativado, de modo que para o Windows será como se o dispositivo tivesse sido desconectado. Então, quando precisar, pressione o reset para "forçar" esse dispositivo "desconhecido" aparecer, e logo fazer ele ser reconhecido 😉

 

Ao abrir o programa inf-wizard.exe, a janela de informação irá mostrar que este programa trata de criar um arquivo *.inf para instalar o driver USB do dispositivo, como mostrado na Figura 14. Antes de clicar em Next, tenha a PROTO'n PIC18F4550 (por exemplo) conectado via USB no seu computador, e pressione o botão "reset" para fazer o microcontrolador entrar em modo de bootloader, e assim imediatamente clique no botão Next.

 

Primeira janela do Inf-Wizard da libusb para Windows
Figura 14 - Primeira janela do Inf-Wizard da libusb para Windows

 

Na próxima janela, mostrada na Figura 15, será mostrada uma lista de dispositivos USB conectados à máquina. Selecione o dispositivo com nome igual a "P8", ou, se preferir, Vendor ID igual a 0x04D8 e Product ID igual a 0xFEAA. Pressione novamente o botão de reset da placa PROTO'n PIC e clique no botão Next.

 

Seleção do componente adequado
Figura 15 - Seleção do componente adequado - Selecione P8!!!

 

Na próxima janela, como mostrado na Figura 16, é a parte de Configuração do Dispositivo (Device Configuration). Aqui você poderá mudar, por exemplo, o nome do dispositivo. Eu deixei tudo como está. Clique novamente no botão reset da PROTO'n PIC e clique no botão Next.

 

Modificação ou não de parâmetros do driver
Figura 16 - Modificação ou não de parâmetros do driver

 

Ao clicar em "Next", será aberta uma janela para você selecionar onde quer deixar o arquivo inf a ser gerado para o dispositivo em questão. Selecione um diretório fácil para ser encontrado (como por exemplo o próprio Desktop), deixe o nome como está (no meu caso, o nome do arquivo ficou como P8.inf), clique em "Salvar".

 

Na próxima janela, como mostrado na Figura 17, é exibido um resumo das informações agregadas do dispositivo USB selecionado, as quais serão usadas para fazer um arquivo *.inf do driver a ser instalado. Pressione o botão reset da PROTO'n PIC e clique no botão Install Now... e o processo para instalar o driver será iniciado.

 

Instalação do driver USB parametrizado
Figura 17 - Instalação do driver USB parametrizado

 

Caso questionado pelo Windows, autorize o programa a fazer modificações no sistema, e como você está no Windows com assinatura de drivers desativada, será mostrada uma janela lhe questionando se deseja ou não instalar este driver, tal como mostrado na Figura 18. Selecione a opção "Instalar este software de driver mesmo assim", e o driver será instalado devidamente. UFA!

 

Janela de segurança do Windows para instalação de driver não assinado
Figura 18 - Janela de segurança do Windows para instalação de driver não assinado

  

Pronto, driver instalado! Vamos só rever alguns detalhes importantes sobre a referência de pinos para programação no Pinguino!

 

 

Referência de Pinos no Programa

 

De acordo com a Wiki do Pinguino, temos a Tabela 1, mostrada adiante, com a referência numérica dada por "Pin on chip" (desconsidere "Pin name"). Esta é a principal forma de acessar um dado pino no Pinguino. Ou seja, se você quiser que o sinal RB1, ou seja, o bit 1 do PORTB seja colocado como saída, a forma correta é:

 

 

Adiante, segue a Tabela 1 com as referências citadas.

 

Tabela 1 - Referência de pinos no programa Pinguino - Wiki Pinguino

Pin namePCB LabelDigital I/Oup to 5.5V tolerantAnalog inputOtherPin on ChipMicrochip name
0D0YesYes SDA / SDI33RB0/AN12/INT0/FLT0/SDI/SDA
1D1YesYes SCL / SCK34RB1/AN10/INT1/SCK/SCL
2D2YesYes  35RB2/AN8/INT2/VMO
3D3YesYes  36RB3/AN9/CCP2(1)/VPO
4D4YesYes  37RB4/AN11/KBI0/CSSPP
5D5YesYes  38RB5/KBI1/PGM
6D6YesYes ICSP PGC39RB6/KBI2/PGC
7D7YesYes ISCP PGD40RB7/KBI3/PGD
8D8YesYes Serial TX25RC6/TX/CK
9D9YesYes Serial RX / SDO26RC7/RX/DT/SDO
10D10YesYes  15RC0/T1OSO/T13CKI
11D11YesYes PWM16RC1/T1OSI/CCP2(1)/UOE
12D12YesYes PWM17RC2/CCP1/P1A
13D13 / A0YesYesYes 2RA0/AN0
14D14 / A1YesYesYes 3RA1/AN1
15D15 / A2YesYesYes 4RA2/AN2/VREF-/CVREF
16D16 / A3YesYesYes 5RA3/AN3/VREF+
17D17 / A4YesYesYes 7RA5/AN4/SS/HLVDIN/C2OUT
18D18 / A5YesYesYes 8RE0/AN5/CK1SPP
19D19 / A6YesYesYes 9RE1/AN6/CK2SPP
20D20 / A7YesYesYes 10RE2/AN7/OESPP
21D21YesYes  19RD0/SPP0
22D22YesYes  20RD1/SPP1
23D23YesYes  21RD2/SPP2
24D24YesYes  22RD3/SPP3
25D25YesYes  27RD4/SPP4
26D26YesYes  28RD5/SPP5/P1B
27D27YesYes  29RD6/SPP6/P1C
28D28YesYes  30RD7/SPP7/P1D
29D29YesYes RUN LED / USERLED6RA4/T0CKI/C1OUT/RCV
OSC1     13OSC1/CLKI
OSC2     14OSC2/CLKO/RA6
RESETRST   Reset switch / ICSP MCLR1MCLR/VPP/RE3
USB-    USB23RC4/D-/VM
USB+    USB24RC5/D+/VP
Vusb    USB18VUSB
VDD (up to 5.5V)     11VDD
VDD (up to 5.5V)     32VDD
VSS (Gnd)     12VSS
VSS (Gnd)     31VSS

 

 

Configurando Pinguino para PIC18F4550

 

Agora sim, é hora de colocar as mãos em código! Mas antes disso, parecidamente ao que é feito na Arduino IDE, é preciso definir na ferramenta Pinguino IDE qual o PIC utilizado. Para isso, clique no botão "Board Configuration" na Pinguino IDE, conforme mostrado na Figura 19.

 

Indicativo do botão de menu de Configuração de Placa
Figura 19 - Indicativo do botão de menu de Configuração de Placa

 

Com isso, será aberta a janela "Board Configuration", e nesta janela deixe marcadas as opções 8-bit em "Architecture", Bootloader em "Programming mode", v4.x em "Bootloader", Pinguino 4550 em "Devices", e depois clique em Accept", tal como mostrado na Figura 20.

 

Indicativo de elementos a serem marcados para configuração do PIC 18F4550 no Pinguino
Figura 20 - Indicativo de elementos a serem marcados para configuração do PIC 18F4550 no Pinguino

 

Pronto, Pinguino IDE pronto para a brincadeira. 

 

 

Primeiro programa com Pinguino

 

Ufa! Configurado tudo quanto tinha direito, agora vamos colocar finalmente a mão em código? Então, clique no botão de "Novo" (New) no Pinguino para criar um novo arquivo de programa em branco, tal como indicado na Figura 21.

 

Botão de new (Novo) no Pinguino
Figura 21 - Botão de new (Novo) no Pinguino

 

 Com isso, aparecerá uma tela em branco no Pinguino IDE, onde você poderá digitar o código de programa. Nesta janela, coloque o seguinte código para piscar o primeiro LED com Pinguino! 🙂

 

 

E antes de tudo e mais nada, lembre-se sempre de salvar o código/projeto. Para isso, clique no botão "Salvar" (Save) para salvar o código escrito, tal como mostrado na Figura 22, e escolha um nome para o projeto na janela que abrirá para escolher onde salvar e qual nome usar. Eu escolhi "piscaLed" para o meu, e isso resultará no arquivo piscaLed.pde.

 

Botão de salvar do Pinguino
Figura 22 - Botão de salvar do Pinguino

 

Agora, antes de salvar é importante um detalhe: Colocar o PIC em modo bootloader. Para isso, basta pressionar o botão "reset" da placa, que no caso estou usando a PROTO'n PIC, e o PIC entrará no modo bootloader, agora com os drivers instalados e configurados. Com o Pinguino IDE aberto, o modo bootloader ficará ativo até que um programa seja carregado no PIC, e no modo bootloader o LED conectado no sinal PA4 na PROTO'n PIC ficará piscando aceleradamente. Isso é normal, é apenas a indicação de que ele está em modo bootloader. Não adianta desplugar a placa da USB e replugar. É preciso pressionar o botão reset, com a placa conectada via USB, para que o bootloader Pinguino entre em ação.

 

Depois de salvo o programa, é hora de compilar o mesmo. Clique no botão "Compile" (Compilar), tal como mostrado na Figura 23, para iniciar o processo de compilação, que, por curiosidade, é feito com sdcc para o PIC18.

 

Botão de compilar do Pinguino
Figura 23 - Botão de compilar do Pinguino

 

Terminado o processo, aparecerá uma janela informando que a compilação foi terminada com sucesso, e você pode simplesmente clicar em "Upload Now" para iniciar o processo de subir o código para o microcontrolador PIC com bootloader Pinguino, tal como mostrado na Figura 24. Caso você clique em OK, essa janela será fechada, e posteriormente você terá que ir na devida opção para fazer o upload do código para o PIC.

 

Botão de upload pós-compilação do Pinguino
Figura 24 - Botão de upload pós-compilação do Pinguino

 

Caso tudo tenha corrido com sucesso, sem demais problemas, outra janela irá aprecer informando que o arquivo foi carregado no PIC com sucesso, tal como mostrado na Figura 25. Basta clicar em OK para essa janela fechar, e você já poderá observar que o LED conectado em PA4 (ou saída de número 17) ficará piscando com frequência de 1 segundo!

 

certo
Figura 25 - Caso bem sucedido

 

Caso não tenha um PIC com bootloader pinguino ativo conectado ao computador via USB, será mostrada uma janela tal como a vista na Figura 26. Caso você tenha esquecido de colocar o PIC em modo bootloader, basta pressionar o botão reset da placa, e clique no botão "Try Again!", que o programa tentará novamente fazer  upload do código compilado para o PIC.

 

Problema ao localizar Pinguino
Figura 26 - Problema ao localizar Pinguino

 

Feito isso, tudo pronto para você começar a brincar com PIC "à lá Arduino" com Pinguino! Brinque com a ferramenta, veja os exemplos de códigos disponibilizados. E, como desafio, veja como comunicar via USB com o PIC usando a USB ou CDC 😉

 

Abraço e até mais!

 

 

Saiba mais

 

PROTO'n PIC18F4550

 

 

Referências

 

Pinguino Wiki

Pinguino - Placas vendidas

PROTO'n PIC18F4550

Installing Pinguino Drivers on Windows 7

MLAB C Tutorial V3

Pinout PIC18F4550

Pinguino Wiki - Basics

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Licença Creative Commons Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

André Curvello
Graduado em Engenharia de Computação com ênfase em Sistemas Embarcados pela USP, campus São Carlos, possui MBA em gestão de TI pela UNIFRAN e Mestrado em Ciências pela EESC-USP. Atua como Team Leader na PST Electronics - Pósitron, sendo também professor de pós-graduação e instrutor de cursos na área de sistemas embarcados. Como hobby, gosta de programar tudo que pode ser programado, escovando bits sempre ao lado de um bom café. Gosta de compartilhar seu conhecimento por meio de palestras, e publicando artigos como colaborador dos sites Embarcados e FilipeFlop. Em 2018 foi premiado como Microsoft Most Valuable Professional em Azure IoT pela Microsoft.

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Alison Almeida
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Alison Almeida

Da bastante trabalho, e para usar alguma coisa tipo o Arduíno, que disperdiça tempo de processamento em coisas triviais. Acho melhor usar o do MikroC, que eles já disponibilizam um código bootloader e um programa de bootloader. Mas seu artigo ficou ótimo.

Leandro Poloni Dantas
Visitante

Parabéns pelo artigo André.
Tenho muito interesse nisso.
Tentei fazer o download do arquivo Bootloader_v4.13_18f4550_X20MHz.hex mas o link parece que está com erro. Você pode verificar isso por favor?
Abraços.

Victor Loureiro Nogueira
Visitante
Victor Loureiro Nogueira

Olá,

Meu nome é Victor e sou bem leigo na área de programação.
Eu tenho 11 euqlizadores de som que usam o PIC18LF6621, sendo que desses 11 apenas um esta funcionando.
É possivel extrair o programa desse que esta funcionando e copia-lo para os novos que irei comprar?
obrigado.

Thiago Lima
Visitante

Oi Victor. Talvez seja possivel, mas nao consigo afirmar se nao tiver acesso ao hardware e ao programador.

Victor Loureiro Nogueira
Visitante
Victor Loureiro Nogueira

Muito obrigado pelo retorno.
Teria como vc me passar o passo a passo de como tentar ter acesso ao programa?
Estou aflito tentando conseguir isso.
Quanto ao micro contorlador, ele pode ser subistituido por outro, no caso 18LF6627?
Eu possuo um kit do arduino mas, nunca usei, não sei se adianta para alguma coisa.
Se quiser me add no Face, fica melhor p gnt conversar. Victor Loureiro Nogueira

Fernando Vinícius G. Magro
Visitante
Fernando Vinícius G. Magro

André, parabens, excelente artigo!! A linha de produtos da Microchip (daí se incluem o PIC, conversores A/D, D/A, OpAmp) realmente, são fantásticas!
Um abraço!!

Thiago Lima
Visitante

Fernando, hoje mesmo esta pesquisando sobre gerenciadores de bateria e controlaodres que trabalham com sensores de temperatura.

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[…] Post de minha autoria, originalmente publicado no Embarcados. […]