Microchip anuncia compra da Atmel

A Atmel foi adquirida no dia 20 de Janeiro desse ano pela Microchip. Isso mesmo, a Microchip vai ser responsável por toda linha de produtos da Atmel e todos seus negócios. A Microchip desembolsou 3,56 bilhões de dólares para adquirir a Atmel. Só para se ter uma ideia do tamanho do negócio, a NXP Semiconductors pagou a Freescale o valor de 11,8 bilhões de dólares no momento de sua junção. A Intel pagou 16,7 bilhões pela Altera, a Avago pagou 37 bi pela Broadcom e a On Semiconductors pagou 2,4 bi pela Fairchild.

 

O carro chefe da Microchip e o que a tornou muito popular no mundo dos sistemas embarcados programáveis foi a sua conhecidíssima linha de microcontroladores com memoria Flash, a família de PIC de microcontroladores que evoluiu de 8 para 16 e até 32 bits. A Atmel é muito popular pelos seu microcontroladores AVR, encontrados em todo lugar e presentes nos primeiros e mais famosos Arduinos vendidos de fora massiva até os dias de hoje. Mas além disso, as duas empresas possuem uma vasta linha de circuitos integrados para analógico e digital. Nos equipamentos encontrados no mercado de consumo atualmente, em quase todos eles você encontra chips dessas empresas, especialmente no Brasil.

 

No passado, os Application Notes, a possibilidade de programação in-circuit e com programadores bem comuns e baratos, preço acessível dos microcontroladores, o trabalho da Artimar, distribuidores e seus FAEs, além da presença massiva dentro da universidade, fizeram com que a Microchip tivesse uma grande participação na lista de componentes dos projetos brasileiros. Além disso a Microchip não descontinua componentes. Isso ganha uma importância muito grande na escolha de um componente, haja visto que os custos de desenvolvimento são altos no brasil e muitos empresários desejam fazer um equipamento que apenas atenda a necessidade de um mercado especifico e não é necessária evolução, apenas que ele seja produzido e vendido a partir do momento que ele está consolidado no mercado. Um exemplo disso é o componente Microchip PIC16F628A PDIP ou o PIC16F84A PDIP (Isso mesmo, eles ainda estão a venda). São caros, mas continuam sendo vendidos (Acreditam?).

 

A Atmel foi sempre muito conhecida no Brasil principalmente por seus microcontroladores da linha 8051, também vastamente explorados nos cursos técnicos e universidades do Brasil. Muitos se lembram dos microcontroladores que podem ser encontrados até hoje em projetos, tais como os micros AT89S52 e AT89S8252, por exemplo. Atmel e Microchip então duelaram por muito tempo pela preferência  dos desenvolvedores em nosso pais. A Atmel ganhou muita força com o Arduino e foi assim que a linha AVR ganhou muita força no Brasil. Imaginem que pelo mundo dezenas de produtos forma produto de desenvolvimento começado com Arduino e então seu microcontrolador Atmel começou a fazer parte da linha de produto de várias empresas, que saiu das placas makers Arduino e se tornaram soluções eletrônicas proprietárias. A Atmel também contava com microcontroladores com Core ARM M0+ e M4, além de processadores com core ARM A5 para aplicações de alta performance e baixo consumo. Além dos ARMs, a Atmel também possuia uma vasta linha de componentes eletrônicos que crescia todos os meses. A Microchip não tinha core ARM na sua linha e esse portfólio em especial a linha de microcontroladores SAM, pode ter sido fator decisivo para compra da Atmel, com certeza - Assim a Microchip poderia ter um core ARM. Alem disso, a equipe de marketing da Atmel também vinha trabalhando em sua documentação de forma única, provendo datasheets coloridos, que são bem fáceis de usar. 

 

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Thiago Lima
Apaixonado por sistemas digitais e circuitos eletrônicos, ja contabilizo 16 anos trabalhando com desenvolvimento de produtos eletrônicos. Formado na USP Sao Carlos, com mestrado em Engenharia Elétrica no Rochester Institute of Technology pelo CsF, atualmente lidero boa parte das operações do Embarcados, buscando levar conhecimento de sistemas eletrônicos para o Brasil. Experimentar o mundo das startups nos EUA foi transformador. La fui cofundador de uma startup de tecnologia chamada Una, sendo acelerado e incubado por um programa especial de Startups no RIT. Ao final, recebemos um prêmio de melhor startup do programa. No Laboratório Hacker de Campinas sou um dos entusiastas de novas tecnologias e apoio iniciativas da comunidade. Tambem participo de atividades comunitarias e sou um dos responsáveis pela Plataforma Ituiutaba Lixo Zero, onde escrevo regularmente artigos sobre redução de resíduos. Sou sonhador mesmo e quero acender a luz ?

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Tales Cembraneli Dantas

Sei que a notícia é antiga mas vou comentar assim mesmo, rs. Meu maior medo é o aumento de preços dos produtos da Atmel, que sempre foram, na minha opinião, mais acessíveis que os da Microchip. A concorrência é um fator crucial em qualquer mercado para balanceamento dos preços de qualquer produto. Por enquanto ainda não senti esta diferença, mas estamos a menos de um ano da fusão.

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