IoT: Contexto geral, presente e perspectiva futura – Parte 2

IoT: Contexto geral
Este post faz parte da série IoT: Contexto geral, presente e perspectiva futura. Leia também os outros posts da série:

Olá! Nesta segunda parte, trataremos sobre a atualidade e aplicação da Internet das coisas, exemplificando alguns contextos. 

O Big Data e o IoT

Iniciemos a discussão sobre o Big Data colocando algo palpável.

É fácil perceber que o mundo real tem uma quantidade infindável de variáveis: nossas postagens em redes sociais, o que comemos, por onde andamos (localização), o que gostamos, nossas características psicológicas e físicas, e-mails, câmeras (vídeos e fotos), com quem conversamos, nossa posição política, nossos interesses particulares em leituras, lazer e esportes, a faculdade que fazemos, para quem ligamos, nossa conta no banco, o produtos que adquirimos, os serviços que usamos. E por aí percebemos que tem uma quantidade quimérica de dados gerados por nós ou captados por outrem.

Se adicionarmos a isso uma possibilidade de uma cidade inteligente (IoT), onde se capta (através de sensores) uma gama de dados, é de se pensar: o que fazer com tudo isso? Nesse contexto, entra o conceito de Big Data.

IoT: contexto com Big Data
Figura 1 - Big Data

O Big Data é esse conjunto de melhorias do processo de obtenção de informações a partir desses dados. Justamente, a análise desses dados para uma melhor tomada de decisão.

A Cidade Inteligente

O termo aqui não se refere a uma cidade planejada como Brasília ou algo semelhante, é claro, a Arquitetura de uma cidade será um braço a mais de torná-la inteligente.

A cidade inteligente é uma gama muito maior, será um modo de gestão pública e interação dos cidadãos entre si e a cidade.

A cidade inteligente
Figura 2 - A cidade inteligente

O que se pensar do quão é necessário hoje uma cidade inteligente? Fazer com que a cidade “ande” melhor, tal como, controlar o tráfego de trânsito; possibilitar uma melhor locomoção seja a pé ou carro; garantir a segurança; localizar facilmente vagas para carro; obter informações de clima; localizar lojas e saber preços; se um hospital estiver muito cheio, o indivíduo ser remanejado para outro, sem perder tempo, mas, indo diretamente onde receberá todo o auxílio necessário; desligar todas as luzes da cidade de forma inteligente; gerir o consumo de água, dentre outros.

Há inclusive o exemplo de um shopping em Goiânia, Plaza D’oro Shopping, antes mesmo de entrar no estacionamento do subsolo é possível verificar a quantidade de vagas disponíveis, fazendo com que o cliente não perca a paciência nem  o tempo buscando vaga em um local que não tem.

A Indústria 4.0

A Indústria 4.0 refere-se à melhoria do processo de fabricação. O "4.0" faz menção à Quarta Revolução Industrial, a partir das tecnologias do IoT.

O contexto da Quarta Revolução é vista a partir de um ciclo: a implementação de máquinas na força de trabalho durante a Revolução Industrial no século XVIII, o início da produção em série no começo do século XX e da automação da produção ao final do mesmo século; e, neste momento estamos na Indústria 4.0, considerada a quarta revolução.

E, assim, temos a implementação da Internet das Coisas nas indústrias, ou seja, o uso de dispositivos inteligentes capazes de se comunicarem entre eles e com as pessoas para o melhor desenvolvimento de uma linha de produção.

A Indústria 4.0
Figura 3 - A Indústria 4.0

A nova Agricultura e Pecuária

Na agricultura podemos, também, aplicar as ideias do IoT: precisamos que a irrigação esteja interligada com a temperatura e umidade do solo; que a quantidade de agrotóxicos seja controlada e que quando aconteça seu uso os trabalhadores sejam avisados para saírem do local; o crescimento da planta seja controlado e saibamos a quantidade correta de água, luz e outras variáveis que sejam para o seu crescimento em ponto ótimo.

Na pecuária, poderá, por exemplo, controlar a temperatura no setor Aviário. A temperatura corporal (interna) de uma galinha gira em torno de 41°C, porém, em casos de temperaturas ambientais acima de 40°C, se não houver um bom manejo da ventilação e umidade, as aves podem morrer, em função do estresse calórico.

Quando fora dessas temperaturas, mínimas e máximas, da zona de conforto térmico, as aves começam a passar por um grande sofrimento e, consequentemente, passam a ingerir menos alimento, perdem peso, baixam a taxa de postura e passam a ser acometidas por doenças decorrentes da falta de alimentação adequada.

O que o IoT pode fazer pelo manejo de galinhas? Controlar a temperatura e umidade ambiente, enviando tais informações para um computador ou smartphone e possibilitar avisos ao cuidador, ainda, de forma automática pode acionar algum dispositivo que condicione o ambiente a esfriar ou no frio a esquentar um pouco.

A nova Agricultura com o IoT
Figura 4 - A nova Agricultura com o IoT

E que tal controlar a umidade do solo e irrigar com inteligência? Tudo automático!

Perspectivas do IoT no mundo

As tecnologias, placas, componentes, Big Data, Indústria 4.0, a nova Agricultura e Pecuária, a cidade inteligente e tutti quanti não são sonhos, mas, realidades atuais.

A maioria das grandes empresas internacionais lançaram plataformas, protocolos, softwares e outros, voltados para o IoT.

No Brasil temos pequenos traços do IoT em plantações, hotéis, shoppings, no ramo alimentício, mas, o BNDES quer ampliar isso e deve elaborar um plano de ação, com cronograma para cinco anos (2017 a 2022), que aponte objetivos, metas e ações a serem empreendidas. O plano deve ser referência para um início em ação macro, a ideia é acelerar a implantação de soluções em IoT em áreas que o estudo virá a selecionar.

A Microsoft, por exemplo, lançou um sistema específico para IoT: o Windows 10 IoT Core. Sua preocupação nessa empreitada foi, também, a facilidade para o desenvolvimento de aplicativos, e, assim, inflou o Visual Studio 2015. Depois, é necessário instalar o Windows 10 IoT Core no dispositivo (na Raspberry Pi, por exemplo) e pode-se criar um aplicativo universal, que, é o conceito de um app funcionar em todas as plataformas Windows.

A Amazon lançou o AWS IoT: uma plataforma para a intercomunicação de dispositivos e aplicações. O AWS IoT disponibiliza SDK's para conexão de um dispositivo de hardware ou aplicativo móvel e permite que seus dispositivos estabeleçam conexão, sejam autenticados e troquem mensagens usando os protocolos MQTT, HTTP ou WebSockets. O Device SDK é compatível com C, JavaScript e Arduino, e inclui bibliotecas do cliente, guia do desenvolvedor e guia de portabilidade para fabricantes. Também pode-se usar uma alternativa de código aberto ou, ainda, escrever o próprio SDK.

A IBM decidiu investir US$ 3 bilhões e contratar 2 mil funcionários para trabalhar na sua nova divisão de negócios de IoT. Uma grande aposta.

Particularmente, a IBM, recentemente, lançou o IoT Automotive. O IoT "automobilístico" fornece o desenvolvimento de aplicativos especializados em domínios automotivos para aquisição de dados, armazenamento, processamento em tempo real e suporte a regras de negócios. O serviço fornece APIs para recuperar informações sobre a localização, o movimento e a saúde dos veículos. IoT para Automotive APIs também são fornecidos para recuperar o contexto do mapa, comportamento do motoriasta e dados de insights analíticos.

Na conferência da WWDC 2016 da Apple, o vice-presidente da Apple, Craig Federighi, anunciou uma grande atualização para a plataforma de Internet das Coisas da Apple, o HomeKit. A grande notícia é que a Apple criou um aplicativo dedicado para controlar todos os dispositivos na casa de uma pessoa.

Na plataforma do Google Cloud há serviços voltados para o IoT. Algo notável é o lançamento do Banco em tempo real: o Firebase; contribuindo para uma excelente solução de comunicação entre dispositivos, aplicativos móveis e web.

A Qualcomm também está com sua plataforma IoT com diversas soluções. A Telefónica também.

No Brasil, recententemente, tivemos o I Congresso Brasileiro e Latino-Americano de Internet das Coisas, onde foi discutido sobre: Saúde, Segurança, Educação, Protocolos e Padrões, Aplicações e Serviços, Infraestrutura e Arquitetura, Setor Automotivo, Cidades Inteligentes e muito mais.

Percebemos que o IoT está movimentando o mundo, e cada dia  surge diversas novidades em vários quesitos, a fim de abranger e sustentar a inovação tão esperada.

Resta-nos, de fato, compreender e também imergir nesse contexto: IoT não é futuro, é presente.

Esse texto teve como co-autor o Alexandre Calaça da Silva.

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