Relato do Freescale Technology Forum 2014 (por Sergio Prado)

FTF 2014

O FTF (Freescale Technology Forum) é um evento anual da Freescale focado em reunir par­ceiros, dis­tribuidores e clientes para dis­cu­tir pro­du­tos e soluções baseadas em Freescale.

Este ano tive a oportunidade de participar do evento, que deixou boas recordações e a impressão de ser um dos melhores (se não o melhor) evento da área que já participei.

O evento aconteceu em Dal­las/TX, com uma infraestru­tura fan­tás­tica, ótimo hotel, boa orga­ni­za­ção e palestras de muita qualidade.

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Durante os 4 dias do evento, tivemos alguns keynotes, diversas palestras e muito bate-papo com os expositores e participantes no Tech Lab.

DIA 1

O evento começou à tarde com duas óti­mas palestras sobre mul­ti­core do Joe Hum­mel da Freescale. Após explicar os con­ceitos de mul­ti­core, ele nos mostrou um exem­plo prático onde, usando alguns recur­sos de mul­ti­core e téc­ni­cas de pro­gra­mação, foi pos­sível fazer com que um pro­grama que lev­ava 38 para exe­cu­tar, lev­asse ape­nas 1 segundo! Ele deixou bem claro tam­bém como deve­mos nos pre­ocu­par com a memória, em espe­cial a memória cache, em sis­temas multicore. Depois ele nos mostrou a fer­ra­menta cachegrind, parte do val­grind, usada para anal­isar o uso do cache por uma apli­cação, essen­cial para mel­ho­rar a per­for­mance de apli­cações em sis­temas multicore.

Logo após esta apresentação assisti uma palestra sobre o uso de fer­ra­men­tas open source em Linux, incluindo perf e oprofile.

Às 18:00 fomos para o Tech­nol­ogy Lab, onde os par­ceiros da Freescale estavam expondo diver­sas demos de pro­du­tos utilizando soluções da Freescale.

Uma das demos bem interessantes era um carro-modelo da Freescale, com mais de 20 CPUs em módu­los difer­entes, se comu­ni­cando via CAN e Eth­er­net, para geren­ciar todas as partes do veículo.

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DIA 2

O segundo dia do FTF2014 começou com o keynote de Gregg Lowe, pres­i­dente e CEO da Freescale.

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O keynote começou com 1 min­uto de silên­cio em respeito aos fun­cionários da Freescale que estavam à bordo do avião que desa­pare­ceu na Malásia.

Depois o keynote seguiu com algu­mas estatís­ti­cas da Freescale no mer­cado global de semi­con­du­tores, como o fato dela ser a número 1 em chips para a área auto­mo­bilís­tica nos EUA.

Alguns con­vi­da­dos foram chama­dos para mostrar pro­je­tos envol­vendo tec­nolo­gias da Freescale, como o OrCam para defi­cientes visuais e um gate­way chamado One Box desen­volvido em con­junto com a Ora­cle para soluções de IoT.

O keynote ter­mi­nou com a apre­sen­tação diver­tida do Voice­Live, capaz de trans­for­mar uma pessoa em uma banda com­pleta! O vídeo da apresentação está disponível no YouTube.

Como todo keynote de CEO, é pos­sível ter uma idéia sobre onde a empresa está apo­s­tando suas fichas. E pelo keynote ficou a impressão de que a Freescale está apo­s­tando forte no con­ceito de IoT, com a linha Kinetis respon­sável pela inter­face com o mundo físico e apli­cações de tempo real, a linha i.MX respon­sável por inter­faces ricas e conec­tivi­dade e a linha QorIQ, respon­sável pela infraestru­tura de comu­ni­cação como gate­ways e switches.

Ainda pela manhã par­ticipei de um hands-on sobre debug­ging em micro­con­tro­ladores mul­ti­core. A seção foi real­izada em cima do MPC5748G, um micro­con­tro­lador da linha Qorivva para o mer­cado auto­mo­tivo, com 3 cores de arquite­tura Power. Tin­hamos 3 apli­cações, e cada uma dev­e­ria rodar em um core e pis­car um led. Mas uma das apli­cações não estava fun­cio­nando, e uti­lizamos a fer­ra­menta Trace32 para realizar o processo de depu­ração em um dos cores.

À tarde par­ticipei de uma palestra do pes­soal da Wind River sobre o pro­jeto Yocto. Nen­huma novidade.

Depois assisti uma apre­sen­tação de 2 horas bem bacana sobre os com­po­nentes do i.MX6 respon­sáveis pelo proces­sa­mento grá­fico, incluindo IPU e VPU. A apre­sen­tação incluiu tanto o lado teórico quanto a parte prática, através do desen­volvi­mento de apli­cações em C se comu­ni­cando direto direto com a IPU via frame­buffer para exibir ima­gens estáti­cas no dis­play, e a uti­liza­ção do gstreamer com acel­er­ação grá­fica para tocar vídeos em HD.

Dia 3

O dia começou com mais um keynote, e mais uma vez focado na “Inter­net das coisas”, onde muitos exec­u­tivos da Freescale subi­ram ao palco para con­tar um pouco sobre como suas respec­ti­vas áreas estão lidando com IoT.

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Logo após o keynote assisti uma palestra da Sysgo sobre cer­ti­fi­cação de sis­temas mul­ti­core. A palestra focou no uso do PikeOS, um sis­tema de tempo real e plataforma de vir­tu­al­iza­ção que pode por exem­plo aju­dar na cer­ti­fi­cação de soluções híbri­das que usam Linux ou Android.

Depois assisti uma palestra bem legal sobre o uso de sis­temas mul­ti­core het­erogê­neos, como um SoC com ARM Cortex-A8 e Cortex-M4 inte­gra­dos. Este tipo de solução pode ser apli­cada por exem­plo em sis­tema auto­mo­tivos, onde o Cor­tex A é respon­sável pela inter­face com o usuário e comu­ni­cação via rede e o Cor­tex M é respon­sável pela comu­ni­cação com o bar­ra­mento CAN e pelo trata­mento de even­tos de tempo real.

Para aju­dar o desen­volve­dor de apli­cações à sin­cronizar a exe­cução do código nos difer­entes núcleos, o SoC pos­sui diver­sos recur­sos de hard­ware como semá­foros, pas­sagem de men­sagens e memória compartilhada.

No fim do dia tive a opor­tu­nidade de assi­s­tir uma palestra da Ade­neo sobre como mel­ho­rar o tempo de boot em sis­temas Linux. Muitas das téc­ni­cas apre­sen­tadas na palestra estão disponíveis em http://elinux.org/Boot_Time, mas valeu à pena para rever alguns conceitos.

O restante do dia pas­sei no Tech Lab vis­i­tando mais alguns estandes.

O pes­soal da IAR me apre­sen­tou uma nova fun­cional­i­dade chamada C-RUN, capaz de fazer análise dinâmica do código (em tempo de exe­cução), e checar erros como heap over­flow, estouro de inteiro e divisão por zero. Achei bem inter­es­sante. Não con­heço nehuma outra IDE com análise dinâmica de código integrada.

Pas­sei tam­bém pelo estande da WaRP­board e con­heci seu cri­ador. A WaRP­board é uma plataforma 100% aberta de wear­ables. O pro­jeto é muito inter­es­sante. Segundo ele, já estão pro­duzindo um lote de 20.000 que estarão disponíveis até agosto/2014.

DIA 4

O dia foi curto mas intenso, com um keynote muito inspi­rador e duas palestras de 1 hora.

O keynote foi apre­sen­tado por Dean Kamen. Um cara bas­tante sim­ples e com uma capaci­dade de cri­ação incrível, que em mais de 30 anos, tem usado a tec­nolo­gia para mel­ho­rar a vida das pessoas.

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É o fun­dador da DEKA Research & Devel­op­ment Cor­po­ra­tion, respon­sável por cri­ações como o Seg­way Human Trans­porter e o iBOT Mobil­ity Sys­tem, feito para aux­il­iar a loco­moção de defi­cientes físicos.

É tam­bém o ide­al­izador da FIRST, uma orga­ni­za­ção feita com o intu­ito de incen­ti­var os jovens a se inter­es­sarem por ciên­cia e tecnologia.

A FIRST leva anual­mente cen­te­nas de mil­hares de jovens à uma com­petição de robôs por todo o país, des­per­tando em muitos deles o inter­esse por ciên­cia e tec­nolo­gia. Um vídeo nar­rado por Mor­gan Free­man mostra o tamanho do evento e desta orga­ni­za­ção. É um exem­plo claro de como não pre­cisamos depen­der do gov­erno para mudar a edu­cação do país.

A primeira palestra que assisti foi sobre práti­cas de pro­gra­mação em ambi­entes mul­ti­core. A idéia é definir um padrão para o desen­volvi­mento de sis­temas mul­ti­core, onde um ker­nel (ex: Linux) rodando em um core pode tro­car dados e sin­cronizar com outro ker­nel (ex: FreeR­TOS) rodando em outro core.

O padrão é man­tido pela Mul­ti­core Asso­ci­a­tion, que inclui diver­sas empre­sas da área como Freescale, Texas Instru­ments, Broad­com, National Instru­ments, Qual­comm, Rene­sas, Wind River, etc. O padrão é aberto e está disponível para down­load.

Depois assisti uma palestra sobre as fun­cional­i­dades de segu­rança no i.MX6. Tema bem inter­es­sante, mas fal­tou didática e tempo ao palestrante para explicar com mais detal­hes o fun­ciona­mento de algu­mas fun­cional­i­dades como boot seguro, crip­tografia, debug seguro e hard­ware fire­wall disponíveis no i.MX6.

NOVIDADES?

Nenhuma grande novidade foi apresentada no evento. Nen­huma ino­vação ou tec­nolo­gia dis­rup­tiva. O que tenho visto é ape­nas uma evolução da tec­nolo­gia, que está pos­si­bil­i­tando colo­car em prática e trans­for­mar em pro­du­tos con­ceitos e idéias que antes seriam inviáveis.

Duas tendências que percebi no evento foram chips multicore e foco em IoT. Os con­ceitos são anti­gos, mas agora via­bi­liza­dos pela evolução da tec­nolo­gia. Chips menores, maior capaci­dade de proces­sa­mento, mais memória e armazena­mento, menor con­sumo, etc.

É nessa linha de pen­sa­mento que a Freescale lançou no FTF2014 novos micro­con­tro­ladores incluindo o Qorivva MPC560xE para a linha auto­mo­tiva, Kinetis K2, Kinetis V e novos proces­sadores da linha QorIQ.

IMPRESSÕES GERAIS

Ótimo evento, infraestru­tura exce­lente e público-alvo bem focado e dire­cionado aos profis­sion­ais da área. Foram quase 2.000 pes­soas segundo o feed­back que recebi dos orga­ni­zadores do evento.

Muitas opções de palestras para assi­s­tir, com mais de 15 tril­has acon­te­cendo ao mesmo tempo. Gostei da maio­ria das palestras que assisti, boa parte com temas bem inter­es­santes. É ver­dade que, em algu­mas delas, fal­tou um pouco de didática por parte do palestrante.

Muitas demon­strações inter­es­santes dos expos­i­tores no Tech Lab, que ficou bas­tante movi­men­tado durante as paradas na hora do almoço e no final do dia.

Enfim, um investimento que vale à pena. Espero retornar nas próximas edições.

Um abraço!

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Dionisio Carvalho
Dionisio carvalho
15/04/2014 17:03

Obrigado por compartilhar!

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21/04/2014 19:26

[…] Relato do Freescale Technology Forum 2014 (por Sergio Prado) […]

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