Entrevista: Professora Débora Garofalo

Professora Débora Garofalo

Tive a oportunidade de entrevistar a Professora Débora Garofalo que vem fazendo um trabalho incrível de inserir o aprendizado de robótica para crianças em uma área carente de São Paulo, através do projeto ‘Robótica com sucata, promovendo a sustentabilidade’. Além disso, ela está no Top 50 dos melhores educadores do mundo e tem chance de ganhar Global Teacher Prize, considerado o “prêmio Nobel da Educação”.

 

A seguir são apresentadas as perguntas e respostas da entrevista.

 

Renata: Quais são as suas motivações para a criação do projeto ‘Robótica com sucata, promovendo a sustentabilidade’?

 

Débora: O projeto de Robótica com sucata nasceu da vontade de transformar a vida de jovens e crianças da periferia da zona sul, comunidade onde leciono e de usar a tecnologia não como um fim, mas como uma propulsora a aprendizagem. O trabalho traz ao palco a construção de utensílios reciclados do lixo retirado das ruas como forma de mediar a construção de conhecimento de conteúdos curriculares (matemática, língua portuguesa, geografia, história, ciências, artes), de eletrônica e de robótica. O projeto tem atuado diretamente na transformação da vida de 2000 jovens e crianças da comunidade escolar da rede pública, que participam ou já participaram do trabalho que é organizado para mobilizar uma prática pedagógica e formativa, que incentive a aprendizagem do aluno pela sua criatividade e o estimula a experimentação de ideias e exploração de pesquisas para propor soluções locais à comunidade. Uma dessas soluções que se destaca é a reciclagem feita pela coleta de lixos de São Paulo que dão origem a construção de robôs e materiais de eletrônica, mais do que ensinar Robótica os alunos estão tendo a oportunidade de intervir na sua própria história e também na história da comunidade.

 

 

Renata: Qual a importância e consequências de inserir o ensino de robótica para crianças nesta faixa etária?

 

Débora: O mundo mudou, os estudantes nasceram nesta nova era digital e é essencial que a escola caminhe neste sentido e oferte ainda na educação básica um aprendizado que vivencie a aprendizagem criativa, experienciando o mão na massa. A importância e consequência é que teremos os jovens lidando com resolução de problemas, desenvolvendo o raciocínio lógico, crítico, científico, colaborando e desenvolvendo empatia com o outro  e que futuramente tenham as mesmas condições de atuarem no mercado de trabalho que alunos que estudarão em uma escola particular.

 

Renata: Você acredita que este projeto influenciará na formação de futuros engenheiros e profissionais na área de robótica e eletrônica?

 

Débora: Sem dúvida, já tenho alunos que seguiram nestas áreas, como engenharia nuclear, elétrica e de produção pelo envolvimento com o trabalho de robótica. Outro ganho é ver as meninas também se interessando por essas áreas e entendendo que não é o lugar que determina o que podem ser e sim eles.

 

 

Renata: De que forma você acredita que sua indicação ao prêmio Global Teacher Prize influenciará a educação no Brasil?

 

Acredito que o prêmio já vem influenciando porque tivemos outros professores indicados em edições anteriores e que vem contribuindo de forma ativa a educação, entre eles o Marcio Andrade, Rubens Ferronato, Diego Mahfouz Faria Lima. Acredito que a grande novidade nesta edição e que tivemos uma repercussão maior, e pelo fato de eu ser a primeira mulher brasileira a ser indicada. Considero este um momento importante e fundamental a educação pública, para que possamos juntar esforços e valorizar os professores que já atuam nas salas de aula, fornecendo melhores condições e formação para que possam desenvolver trabalhos com excelência e que a sociedade como um todo possa abraçar a escola pública e participar dela de forma ativa. Não podemos tratar a escola como uma ilha, precisamos de parceria, apoios, recursos para gerenciar uma escola humanizadora, pautada em qualidade e equidade.

 

Renata: Quais são os próximos passos para o projeto ‘Robótica com sucata, promovendo a sustentabilidade’?

 

Nestes três anos estamos avançando com o projeto e com as ações do trabalho de robótica com sucata dentro e fora da unidade escolar, onde arrecadamos mais de uma tonelada de materiais recicláveis e lixo eletrônico, onde a cada dia, os alunos me surpreende com sua criatividade e inventividade para criar os seus protótipos. Para este ano, intensificamos as ações ao entorno e promoveremos intercâmbios dos alunos junto a escola estadual de ensino médio EE Dr. Ângelo Mendes de Almeida (em parceria já iniciada  em outubro de 2018) e com o CRIAD (Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente) que visa atender jovens em situações de riscos, onde meus alunos ministrarão oficinas de robótica com sucata, tornando-se multiplicadores e aumentando sua aprendizagem e extrapolando o conhecimento para além dos muros da escola, principalmente aprendendo uns com os outros. Também desde de 2006 passado venho realizado palestras e formação docente no Brasil a respeito do trabalho de Robótica. Dentro deste mês, a convite do Tribunal Estadual de Contas de São Paulo, estarei apresentando o trabalho a diversas secretarias do Estado, onde haverá possibilidade de replicação do trabalho. O meu maior sonho é que o ensino de Programação e Robótica chegue a todas escolas brasileiras.

 

Agradeço imensamente a Professora Débora por ter dedicado um pouco do seu tempo cedendo uma entrevista à mim e também gostaria de parabenizá-la pelo trabalho que vem realizando.

 

Você pode conferir mais detalhes dos projetos da Professora Débora Garofalo aqui.

NEWSLETTER

Receba os melhores conteúdos sobre sistemas eletrônicos embarcados, dicas, tutoriais e promoções.

Obrigado! Sua inscrição foi um sucesso.

Ops, algo deu errado. Por favor tente novamente.

Licença Creative Commons Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

Renata De Camillo
Estagiária no Embarcados e estudante de engenharia elétrica da USP de São Carlos. Vencedora das competições Telit Cup Brasil (2015) e Embarcados Contest: conectando à Internet das Coisas com a NXP (2016). Finalista do Startup Weekend IoT (2016) e do DesafIoT (2017). Organizadora da SIEEL (Semana de Engenharia de de São Carlos) e fundadora do Grupo IoT Sanca. Apaixonada por tecnologia, principalmente por projetos na área IoT.

1
Deixe um comentário

avatar
 
1 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
1 Comment authors
César Augusto Marcelino dos Santos Recent comment authors
  Notificações  
recentes antigos mais votados
Notificar
César Augusto Marcelino dos Santos
Visitante
César Santos

Nossa, incrível e admirável!!!!! Sonho em ver mais iniciativas deste tipo 🙂
Será que os makerspaces já têm algo deste tipo no radar?