Empreendedorismo – Os (meus) primeiros passos

empreendedorismo

Este artigo pretende falar um pouco sobre um tema bem comum há muito tempo e que num passado recente tem ganhado muita força: empreededorismo.

Posso dizer que sou um empreendedor. Posso dizer também que NÃO sou um empreendedor de sucesso. AINDA? Talvez. A jornada é longa, e nem sempre tem um fim, ou um final feliz. Asseguro que é uma grande aventura. E neste artigo vou falar um pouco sobre o começo. O começo da minha empresa? Acho que não. O começo de uma nova empresa? Talvez. Vou expor algumas idéias e experiências que tive naquele começo.

As vezes penso que virar empreendedor é similar àquela analogia da piscina fria usada para fazer piadas sobre casamento. Quem pulou na água não sabia que era fria e agora quer que o resto pule na água também. Principalmente em casos como o meu, que não tinha preparo nem orientação. É realmente muito difícil empreender, realizar este salto para esta piscina gelada. Definitivamente é uma questão de atitude.

Minha história empreendedora começou com uma experiência mal sucedida de começar um website. Eu não sou desenvolvedor web, mas na época (2007) surgiu uma oportunidade para começar um website interessante e consegui montar um primeiro time. Meus dois primeiros sócios. Conseguimos fazer estudos preliminares. Mas, na hora de começar efetivamente o trabalho, surgiram outros desafios de caráter pessoal que inviabilizaram o projeto. Na época, os três eram empregados em empresas e a construção do website era uma atividade a ser feita na terceira hora (a noite). Dessa experiência me veio a primeira lição: empreendedorismo exige DEDICAÇÃO INTEGRAL.

Na época eu trabalhava em um grupo de software embarcado de uma empresa multinacional que, na verdade, era uma fábrica de software embarcado para outras unidades da empresa no mundo. Era um trabalho que eu gostava muito e estava totalmente ligado ao que eu estudava no mestrado (incompleto, em métodos de engenharia de software aplicados a projetos de sistemas embarcados). Eu acreditava que aquilo que eu fazia pela empresa poderia ser feito por uma empresa terceira para diversas outras empresas e a aplicação de métodos garantiriam eficiência e a segurança necessária pelas empresas. E, como o projeto havia morrido e eu estava com um CNPJ aberto, decidi perseguir o meu pensamento. Nasceu a Phi Innovations. Comprei o domínio, construi o website da empresa (usando um CMS), minha esposa desenhou o logotipo (que não é o atual), implantei as ferramentas que são usadas até hoje pela empresa (com outras instalações e configurações, mas são as mesmas), fiz uma apresentação (horrível) e fui para a rua, VENDER. Assim que eu conseguisse um projeto que me sustentasse, eu deixaria o emprego. Isso aconteceu seis meses depois. Minha premissa (de que desenvolvimento embarcado terceirizado era bom para as empresas) se confirmou vários anos depois e consegui sobreviver para ver ou começar a explorar isso. E daí surgiu a segunda lição: RESILIÊNCIA. Muita coisa aconteceu entre estes dois períodos.

Hoje em dia, mais que na época em que comecei, existem recursos disponíveis para começar a "colocar o pé na água". Ferramentas de modelagem de negócios, hardware de prototipagem de custo acessível, software de código aberto para as mais variadas funções, livros e artigos sobre o assunto, especialistas dispostos a ajudar e até investidores anjo. Porém, independente de tudo isso, duas verdades ainda são inevitáveis: a água continuará gelada e você vai ter que ficar integralmente nesta água fria por um bom tempo. Portanto, a decisão de empreender vai além de um estudo, de uma idéia, uma oportunidade ou de participar de uma moda. É preciso estar decidido a viver esta aventura. Por exemplo, existe um conceito tão explorado quanto o empreendedorismo que é a qualidade de vida. Indivíduos e famílias buscam constantemente a qualidade de vida. Porém, a qualidade de vida de um empreendedor em início de carreira desaparece. Em alguns casos, leva-se anos para se atingir o equilíbrio. E não só o indivíduo, como sua família, convivem com isso. É um sacrifício a ser feito em nome de uma possível glória futura, em nome da aventura.

Eu adoraria dizer que esta é uma aventura muito boa, que vale a pena e que todos devem fazer isso. Porém, minha dica deste meu primeiro artigo sobre empreededorismo é: PENSE BEM e, uma vez decidido, VÁ SEM MEDO E APROVEITE AO MÁXIMO A EXPERIÊNCIA. No meu caso, o salto para a água fria é um sonho da juventude. Sofri com a água gelada, com as ondas, com as correntezas. Porém, aprendi  a me proteger da água fria, a nadar e a usar a correnteza para me deslocar para onde desejo ir. Todos que sobrevivem terão experiências bem parecidas com as minhas.

Até a próxima.

Referências

Licença Creative Commons Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

Receba os melhores conteúdos sobre sistemas eletrônicos embarcados, dicas, tutoriais e promoções.

Conceito de Engenharia » Empreendedorismo - Os (meus) primeiros passos
Comentários:
Notificações
Notificar
guest
3 Comentários
recentes
antigos mais votados
Inline Feedbacks
View all comments
Ronaldo Nunez
04/10/2014 14:13

Muito interessante seu artigo e obrigado por compartilhar a sua experiência com a comunidade. Recentemente, li um livro chamado o Guia da startup de Joaquin Torres.Ele aborda o tema de empreendedorismo focado em experiências de produtos web. Apesar de o livro contrariar algumas coisas que você falou (nem por isso um ou outro estão errados) vale à pena a leitura para quem pretende se "aventurar" abrindo uma empresa, ou mesmo para quem quer dar uma ousada no ambiente de trabalho. Um forte abraço.

Leonardo Pinheiro
Leonardo Pinheiro
02/10/2014 12:42

Olá Flávio, primeiro quero parabenizar pelo artigo. Pouco se fala de empreendedorismo em (com) sistemas embarcados. Também estou nesse barco. Já tentamos (eu, mais 3 sócios) pela primeira vez em 2007, falhamos. Estamos novamente (hoje em 2), desde 2013 vivendo novamente esta aventura agora com algumas lições aprendidas. Participamos de processos de incubadoras e também programas de startups que estão nos ajudando a aprender aquilo que não vimos nas faculdades. Eu digo que essa fase que estamos passando está sendo uma nova faculdade (a de empreender). Testes de mercado, validações de modelos, conheça bem as dores do seu público alvo,… Leia mais »

Daniel Junho
Daniel Junho
05/12/2016 08:05

Quando vem os outros artigos sobre empreendedorismo?

Talvez você goste:

Séries

Menu

WEBINAR
 
NVIDIA JETSON – A Inteligência Artificial na palma de sua mão

Data: 08/07 às 14:00h Apoio: Arrow | NVIDIA
 
INSCREVA-SE AGORA »



 
close-link

WEBINAR
 
Redes Mesh para Monitoramento
e Controle de Sensores

Data: 15/07 às 14:00h Apoio: Artimar| Microchip| Tecsus
 
INSCREVA-SE AGORA »



 
close-link