Embarcados em materiais reciclados, você já viu?

Atualmente, o uso da robótica e eletrônica está ganhando muita força no mundo educacional. Um exemplo desse crescimento está na Professora Débora Garofalo (Figura 1), que está entre os finalistas do maior prêmio de educação, no ano de 2019, até a data deste artigo. Ela vem desenvolvendo um trabalho denominado: Robótica com Sucata. Ela e seus alunos reaproveitam resíduos reciclados e eletrônicos encontrados na rua para projetos de robótica, ajudando a inclusão de alunos da escola pública no universo da robótica, eletrônica e programação.

 

Figura 1. Professora Débora Garofalo, fundadora do projeto Robótica com Sucata.

 

Trabalhos de Robótica com materiais reciclados e lixo eletrônico estão ficando cada vez mais em evidência. Existe um projeto, em Fortaleza, no estado do Ceará chamado Robótica Sustentável, fundado pelo Prof. André Cardoso que tem como lema: o reaproveitamento desses materiais no uso de projetos de robótica utilizando eletrônica básica, com diversos projetos com materiais reciclados, em sua maioria, papelão (Figura 2).

 

Figura 2. Projeto Robótica Sustentável com a visita da Polícia Militar de Fortaleza, reaproveitando materiais reciclados e lixo eletrônico para projetos de Robótica.

 

Em Alagoas, na cidade de Viçosa, existe o Projeto Robótica Sucational, que aproveita a sucata doada por empresas e órgãos públicos para fazer práticas educativas voltadas à robótica. Existem inúmeros projetos que tem nesta mesma área em outros estados: Rio Grande do Sul (ROBOED 28 CRE), Recife (Robótica Livre), Paraná (Projeto CriaR), São Paulo (Robótica Educacional), Rio de Janeiro (Escola Técnica Estadual Ferreira Viana), Sergipe (Projeto de Formação em Robótica Maker), Minas Gerais (Aprender fazendo Programação e Robótica), Distrito Federal (Meta-Circuitos), Bahia (Robô Livre), Pará (REUSETECH).  O que todos estes projetos têm em comum?

 

A resposta para essa pergunta é: Cultura Maker. Aproveitar materiais ao seu alcance, junto com a criatividade, aliado a tecnologia e programação estão transformando  a educação no Brasil. Isso tudo começou com acessibilidade educativa e tecnológica no uso de embarcados e no uso da programação. E quem possibilitou isso? Em especial, o Arduino. Isso levou vários educadores a estimularem-se neste novo mundo, muitos sem formação em programação ou eletrônica, mas com entusiasmo para atrair os jovens a tecnologia.

 

Jovens e adultos estão se interessando cada vez mais pela forma de como fazer e não só aceitar o que é imposto pelos conceitos teóricos. Pensando, criando, prototipando, colocando tudo no “mão na massa”. Assim, os professores estão se atualizando e criando ambientes de aprendizagem significativa e interessante para o aprender e o desenvolvimento. Um exemplo está em um grupo de alunos do projeto Robótica Sustentável que criaram até sua própria empresa, de entretenimento em festa, utilizando batalha de robôs. E o que possibilitou isso? O Arduino.

 

A revolução educativa que o Arduino fez está ligado principalmente ao custo, facilidade de encontrar módulos, acessibilidade à comunidade e facilidade na programação. Todos estes aspectos possibilitaram o uso do Arduino em salas de aula sem a ajuda governamental, sendo realizado de forma independente pelos professores. Além disso, com o uso de materiais de baixo custo para a mecânica e eletrônica, isso facilitou demais o surgimento deste movimento Maker com materiais reciclados.

 

O reaproveitamento de materiais reciclados traz a sustentabilidade aliado a tecnologia, possibilitando novas práticas educativas relacionadas a educação ambiental e a educação tecnológica. Ao combinarmos estas novas práticas ocorrem a interdisciplinaridade e contextualização com conteúdos básicos, possibilitando em práticas STEAM (Sciense, Technology, Engineering, Art, Mathematics - Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes, Matemática). Além de um aprofundamento dos conteúdos teóricos em aulas práticas, gerando inovação na maneira de ensinar. O professor deixa de ser o centro das atenções e só auxilia o aluno a construir seu próprio conhecimento.

 

Quantas mudanças! Não é verdade?! Isso tudo por causa de uma plaquinha que já existia há alguns anos, mas encontrou o seu lugar perfeito na educação e na robótica, levando tecnologia e educação para crianças carentes e possibilitando uma nova maneira de ser sustentável.

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Emerson Beserra
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Emerson

Muito legal as iniciativas!
André, vc tem algum link de como começar nessa área?
Tenho algumas perguntas na minha cabeça depois de ler o artigo, como por exemplo: Qual o melhor material a ser reciclado ou como reciclar plástico para ser reutilizado em impressoras 3D?(é possível?)