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Primeiros passos com e2studio da Renesas

e2studio

Recentemente a Renesas anunciou o lançamento da versão 4.1 do seu ambiente integrado de desenvolvimento (IDE), o e2studio. Desde a sua primeira versão, o e2studio é baseado no Eclipse, uma já consagrada e bem conhecida ferramenta de desenvolvimento. Pelo fato de ser aberto e modularizável, o Eclipse pode ser aplicado desde em desenvolvimento de aplicações empresariais com Java, até mesmo em depuração em tempo-real de sistemas embarcados.

Pelo fato de fazer parte da newsletter da Renesas, acabei recebendo a notícia por e-mail mesmo, em uma mensagem tal como mostrada na Figura 1, já notificando a disponibilidade da ferramenta para download neste link. Já pelo e-mail a Renesas anuncia que o e2studio 4.1 já faz uso do Eclipse Luna e CDT 8.6, além de suporte aos compiladores CC-RX e CC-RL. Caso você queira ver em detalhes as notas de observações sobre as novidades do e2studio 4.1, veja o release note da Renesas neste link.

Por se tratar de uma ferramenta que já engloba muitos complementos, seu tamanho para download é de aproximadamente 780 MB. Dessa forma, há como fazer o download do web installer, que irá baixar só os componentes necessários, e do offline installer, que já vem com os componentes para instalação.

e2studio: e2noticia
Figura 1 - Notícia do lançamento do e2studio.

Para fazer o download da ferramenta, basta acessar o link de download, selecionar a opção de web installer ou de offline installer, aceitar o termo de licença para download e proceder com o download desejado. No meu caso, eu fiz o download do offline installer, pra já deixar tudo no jeito!

Baixado o instalador, vamos executá-lo, o que de cara já inicia com a tela mostrada na Figura 2. Aqui é quase que aquele "procedimento padrão" - próximo, próximo, próximo... Mas veremos que existem alguns detalhes a mais!

e2studio - Instalação
Figura 2 - Janela inicial do instalador do e2studio.

Na próxima janela, mostrada pela Figura 3, é possível selecionar o local de instalação do e2studio e das ferramentas incorporadas, tais como toolchains e demais que se fizerem necessárias. É bom deixar algo na raiz, tal como no exemplo C:\Renesas\e2_studio, porque aí ficará bem mais fácil e direto acessar algum componente quando necessário.

e2studio - Instalação
Figura 3 - Escolha do local de instalação do e2studio.

Agora a coisa já começa a especificar. A IDE e2studio possui suporte às seguintes famílias de microcontroladores da Renesas:

Você pode vir a trabalhar com todas elas! Ou com apenas algumas. De modo a carregar o e2studio somente com o desejado pelo desenvolvedor, nessa parte da instalação você selecionará então quais as famílias de microcontrolador deseja trabalhar, de modo que posteriormente então a ferramenta faça a configuração dos toolchains e demais itens necessários. No meu caso, eu tenho aqui placas da Renesas com RX RL78, de modo que foram as opções que marquei, tal como mostrado na Figura 4.

e2studio - Instalação
Figura 4 - Escolha do suporte à famílias de microcontroladores Renesas.

Como se não bastasse, transformaram o e2studio em um verdadeiro canivete suíço, adequando-o a novas tendências de desenvolvimento colaborativo com a inclusão de suporte para SVN e Git, além de suporte para depuração para RTOS FreeRTOS e Micrium, terminal embutido para acesso SSH, Serial e Telnet, além de outros pacotes de idiomas, tal como mostrado na Figura 5. Pessoalmente, marquei os últimos pontos, destacando suporte colaborativo, terminal embutido, suporte a Micrium e RTOS.

e2studio - Instalação
Figura 5 - Escolha de componentes extras para o e2studio.

Após a seleção de componentes extras, o instalador agora irá lhe pedir para especificar os componentes a serem instalados juntamente com o e2studio. Esta parte tem destaque especial para a integração de toolchains que serão utilizados como base para a compilação dos projetos geridos pelo e2studio. Marque os componentes específicos para ter suporte às famílias de microcontroladores que você escolheu anteriormente, tais como RXRL78, além é claro das toolchains desejadas. Recomendo fortemente marcar CCRXGNURX para a família RXCCRL GNURL para a família RL78, como no meu caso, além de demais componentes que julgar necessários, tais como mostrado na Figura 6.

e2studio - Instalação
Figura 6 - Escolha dos componentes a serem instalados.

Os compiladores CCRX e CCRL são os compiladores oficiais da Renesas. Eles possuem avançados recursos de otimização do código gerado, suporte às especificações MISRA-C, dentre outros recursos. Eles são pagos e podem ser usados sem limitações por um período de 60 dias. Passado esse período, o CCRX fica com limitação para uso de código com até 128 KB, e o CCRL para uso de código com até 64 KB.  

Já os compiladores GNURX e GNURL são opensource, ou seja, são gratuitos e sem limite de tamanho de código. Infelizmente, não contam com as otimizações avançadas dos compiladores oficiais. Os projetos exemplos (demos) fornecidos pela Renesas vêm pré-configurados para os compiladores oficiais. Caso queira usar estes compiladores você precisará adaptar os projetos pré-existentes ou se adaptar às suas especificações em novos projetos. 

Tanto para os compiladores oficiais como para os abertos, caso queira baixá-los à parte, basta ir nos links de download, baixar e instalar os compiladores. Todavia, o instalador do e2studio permite o download e configuração automática dos compiladores/toolchains marcados anteriormente. Basta selecionar as versões desejadas, tal como mostrado na Figura 7, e prosseguir com a instalação.

e2studio - Instalação
Figura 7 - Escolha dos componentes específicos a serem instalados.

Após todo o processo de seleção, temos então a Figura 8 com os termos de contrato a respeito de questões legais sobre os componentes a serem instalados. Basta clicar em "I accept..." e continuar a instalação.

e2studio - Instalação
Figura 8 - Aceitação dos termos de contrato.

Após essa etapa, na Figura 9 temos uma simples opção para selecionar o atalho a ser gerado para o e2studio no menu iniciar.

e2studio - Instalação
Figura 9 - Configuração de atalho.

Por fim, temos então finalmente todo um relatório dos componentes que serão instalados no sistema, tal como mostrado na Figura 10. Basta clicar em Next para continuar a instalação.

e2studio - Instalação
Figura 10 - Relatório da Instalação.

Nessa parte, todos os componentes padrões do e2studio serão instalados, e os componentes à parte que você marcou serão instalados em sequência, cada qual com sua janela de instalação, tal como mostrado na Figura 11, e depois na Figura 12, em que apareceu a janela de instalação do compilador CCRX durante o processo, para também ser instalado.

e2studio - Instalação
Figura 11 - Instalação dos pacotes e componentes do e2studio.
e2studio - Instalação
Figura 12 - Exemplo do instalador do compilador CCRX.

Finalizado o processo, você pode tanto visualizar as notas da versão e2studio, ou só simplesmente marcar para já abrir o programa, e assim finalizar a instalação, tal como mostrado na Figura 13.

e2studio - Instalação
Figura 13 - Instalação finalizada - Inicialização do e2studio.

Por ser baseado no Eclipse, o e2studio trabalha com o escopo de Workspaces, que são diretórios onde serão armazenados os projetos em desenvolvimento na ferramenta. Eu marquei as minhas opções tal como mostrado na Figura 14 e cliquei em OK.

e2studio - Instalação
Figura 14 - Configuração do Workspace.

Na primeira inicialização do e2studio, a ferramenta procura no sistema as toolchains instaladas para o vínculo apropriado com a IDE. Assim, irá aparecer uma janela chamada Toolchain Integration em que você poderá selecionar quais das toolchains instaladas deseja integrar com a IDE. Marquei as minhas opções tal como mostrado na Figura 15 e cliquei em Register para a ferramenta fazer o vínculo apropriado.

e2studio - Instalação
Figura 15 - Detecção e seleção das Toolchains instaladas na máquina.

Então... Agora temos o carregamento mesmo do e2studio, com uma tela de splash bem bonita e que até destaca no canto superior esquerdo as toolchains incorporadas. Veja na Figura 16.

e2studio - Instalação
Figura 16 - Tela "Splash" de carregamento do e2studio.

Ainda na primeira utilização, é bem provável que o e2studio fará a instalação do Code Generator COM, ferramenta utilizada para geração automática de código para dadas famílias e modelos de microcontroladores da Renesas. Caso aconteça isso, ele irá instalar e pedir para reiniciar a aplicação, aparecendo uma janela tal como a mostrada na Figura 17. Basta clicar em OK para o e2studio ser automaticamente reiniciado.

e2studio - Instalação
Figura 17 - Notificação de instalação do Code Generator COM.

Ufa! 😀 Finalmente passamos por todo o processo de instalação e configuração inicial da ferramenta. Mas lembrem-se: boa parte desse processo é realizada só 1 vez, a título de setup inicial.

Reiniciado então o e2studio, será aberta uma janela com a IDE. Para quem está familiarizado com o Eclipse, estará em casa. É a mesma coisa, abas e abas, perspectivas, opções de execução, depuração, build, etc... Como o meu Workspace já possuía alguns projetos da Renesas, o programa abriu já exibindo meus projetos com a perspectiva C/C++, como mostrado na Figura 18.

e2studio - Instalação
Figura 18 - Exemplo da IDE em Execução com alguns projetos.

Agora vamos aos destaques do e2studio! Se fosse só pegar o layout e a forma do Eclipse seria fácil demais, né? Mas eles deram um "tapa" muito legal na ferramenta, a começar pela aba "Renesas Views", localizada no Menu superior, e destacada na Figura 19 adiante. Nela é possível ter uma noção mais destacada a respeito de componentes embutidos da Renesas na ferramenta.

e2studio - Instalação
Figura 19 - Destaque para o Renesas Views do e2studio.

Na primeira parte do Renesas Views há uma opção para análise de pilha de código C/C++, chamado Stack Analysis, muito útil para saber se você não está extrapolando recursos de execução de código do microcontrolador. Lembro que este recurso é melhor utilizado com os compiladores oficiais. Essa opção é mostrada na Figura 20.

e2studio - Instalação
Figura 20 - Análise de pilha de código C/C++.

Outra funcionalidade que agrega muito valor é a geração automática de código, feita pelo Code Generator Plugin da Renesas. Essa funcionalidade permite criar projetos já configurando PORTS, Clock, Interrupções, ADC, dentre vários outros periféricos. Infelizmente, nem todos os microcontroladores são suportados por esse plugin. Para saber mais detalhes e ver precisamente as famílias e modelos suportados, visite o link do plugin. No e2studio, a opção é marcada a princípio no submenu apresentado na Figura 22.

e2studio - Instalação
Figura 21 - Code Generator da Renesas
e2studio: Utilitários para geração de código.
Figura 22 - Utilitários para geração de código.

E de nada adianta escrever bastante código e não ver a coisa funcionando direito, né? Pra essa parte, a Renesas investiu bem em uma estrutura de depuração de código, permitindo ao desenvolvedor criar gráficos e elementos visuais para acompanhar a execução do sistema e/ou valores de variáveis específicas durante o processo de testes. No e2studio as opções para Debug são mostradas no submenu apresentado na Figura 23.

e2studio: Utilitários para depuração do código em execução no microcontrolador
Figura 23 - Utilitários para depuração do código em execução no microcontrolador.

Como mencionado anteriormente, é possível criar Visual Expressions, que nada mais são que utilitários gráficos tais como medidores, controladores circulares, dentre outros, os quais você pode associar a variáveis específicas do código do projeto microcontrolado, e acompanhar ou controlar seus valores durante a depuração para observação dos resultados. Veja na Figura 24 um exemplo disso.

e2studio: Visual Expressions
Figura 24 - Visual Expressions. Fonte: e2studio

Já com relação ao modo de depuração em geral, o e2studio pode apresentar uma perspectiva semelhante à mostrada na Figura 25, com exibição de gráficos em tempo real, monitoramento de registradores e breakpoints, dentre outras coisas.

e2studio: Debugger
Figura 25 - Debug de código. Fonte: e2studio.

Outro ponto de destaque envolve mais um conjunto de ferramentas que a Renesas incorporou no e2studio para uma melhor gestão de projeto. Tais ferramentas envolvem o Firmware Integration Technology, que visa facilitar a integração e portabilidade de códigos para microcontroladores da família RX. E o Optimization Assistant auxilia o usuário a identificar as melhores opções de build para o projeto em questão. Essas e outras ferramentas estão no submenu apresentado na Figura 26.

e2studio: Instalação
Figura 26 - Mais ferramentas complementares do e2studio.

E uma característica cada vez mais aprimorada nas versões do e2studio e que merece destaque é o Import de projetos de outras ferramentas, tais como HEW e IAR para Renesas, além, é claro, de facilitarem também a conversão de projetos gerados com compilador CCRX para GNURX. Essas e outras opções de importação de projetos são apresentadas na Figura 27.

e2studio: Instalação
Figura 27 - Opções para importar projetos no e2studio.

E na hora de criar um projeto novo, caso você tenha selecionado uma das famílias e modelos compatíveis com a geração de código automática, você terá a opção de configurar então o Peripheral Code Generator, que irá então guiar uma configuração e embasar o projeto para geração automática de código, facilitando o processo de setup do sistema a ser desenvolvido, como mostrado na Figura 28.

e2studio: Configuração para geração de código automática.
Figura 28 - Configuração para geração de código automática.

Gostou dos detalhes apresentados? Caso tenha alguma dúvida sobre a ferramenta, não hesite em apresentá-la nos comentários abaixo. E caso você tenha alguma placa da Renesas, experimente a nova versão do e2studio e nos conte a sua experiência!

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Rafael Dias
Rafael Dias
17/11/2015 20:23

alguma luz sobre instalação do E2Studio no linux?

André Curvello
Reply to  Rafael Dias
17/11/2015 23:52

Infelizmente ainda não... O mais próximo é usar Eclipse com KPIT.

Rafael Dias
Rafael Dias
17/11/2015 20:18

alguma luz para instalação do e2studio no linux? 🙂

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