Criptomoedas de IoT: Modum

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Existe uma vasta aplicação de Blockchain para a Cadeia de Suprimentos. Ele permite que, através de mecanismos e dispositivos de IoT, haja transparência entre parceiros, compradores e vendedores, e também permite rastreabilidade de todo o processo, nos aspectos medidos, apontados e registrados no Blockchain.

 

Ilustração que mostra a cadeia de suprimentos, usando Ethereum.
Figura 1: Ilustração que mostra a cadeia de suprimentos, da fábrica ao distribuidor ou revenda, registrando os dados relativos a condições ambientais em um blockchain distribuído, neste caso, usando Ethereum.

Um dos casos abordados, e onde a tecnologia do Blockchain poderia ser útil para transparência e confiabilidade das informações, seria no caso do transporte de produtos. Existem diversos produtos que são sensíveis a condições climáticas durante o seu transporte e também durante o período em que ficam em estoque na fábrica ou no local de venda. Produtos farmacêuticos, em especial, são muito sensíveis ao transporte e, diversas drogas precisam manter um certo padrão de aclimatação para que a fórmula contida ali nas cápsulas ou líquido não perca a sua eficácia, ou seja, para que possa ser eficaz no que se propõe, ou até mesmo para que não se torne prejudicial a quem utiliza esse medicamento. O processo de transporte, então, da indústria farmacêutica até o consumidor final, deveria ser monitorado de perto para garantir as condições adequadas que atestam que o produto não sofreu nenhum dano.

 

Em 2013 a União Européia atualizou a regulamentação que delimita as condições em que os medicamentos devem ser transportados e armazenados. Nessa atualização, os órgãos governamentais exigem prova que os medicamentos não foram expostos a condições que puderam comprometer sua qualidade e integridade. Então, para todo transporte, um planejamento de risco deveria ser feito para aferir que os medicamentos não sofreram nenhum dano. Foi exigido também que as condições necessárias para transporte determinadas pelo fabricante fossem mantidas e respeitadas.

 

Essa determinação das agências de regulamentação europeias faz sentido, tanto social quanto economicamente, e é possível que outras agências pelo mundo possam seguir essa tendência e também determinar que os medicamentos tenham um cuidado especial no transporte. Atualmente, na União Européia, caixas especiais e também carros com condições climáticas controlados são utilizados para a realização desse transporte. Mas como nem todos os medicamentos requerem um controle tão preciso dessas condições e, no fim do dia, o custo de transporte fica sendo muito alto para diversos desses equipamentos que também usam o mesmo método de transporte dos medicamentos que têm exigências mais críticas de transporte. Imagine então que isso é feito diariamente para a maioria de cidades de uma nação e dá pra se ter uma ideia melhor do custo por trás disso. Para se ter uma ideia do tamanho desse mercado, mais de 200 milhões de entregas são feitas todo ano na União Européia.

 

Imagem da Phoenix Group.
Figura 2: Imagem da Phoenix Group. Fonte no link.

 

Além disso, uma série de outros produtos também podem se beneficiar disso, na medida que isso pode gerar valor ao produto, pois pode ser uma prova que o produto teve um transporte adequado, o que assegura a qualidade do produto, de sua origem, o produtor, até o ponto de venda.

 

O Projeto Modum é open source (acesse no link) e se propõe a garantir a integridade dos dados para operações de cadeia de suprimentos, utilizando a tecnologia Blockchain (o token MOD utiliza tecnologia Ethereum ERC20). Para isso foram desenvolvidos sensores que gravam as condições ambientais, de forma autônoma, enquanto os produtos físicos estão sendo transportados. Quando o produto é entregue, ou é trocado de mãos, do transportador para o revendedor, por exemplo, os dados coletados referentes às condições durante o transporte da mercadoria são registrados em um contrato inteligente no Blockchain. Quando essa informação chega ao Blockchain, ele não pode ser mais modificado, a informação a partir daí é descentralizada e é acessível publicamente. O contrato valida que toda a transação está de acordo com todos os padrões e regulamentações determinados por quem enviou o produto, ou pelo cliente, ou pelos próprios reguladores, interessados pelo cumprimento das regras, e pode iniciar várias ações, dentre elas: notificar quem enviou a mercadoria e receber ou fazer pagamentos, etc.

 

Veja no vídeo abaixo como funciona o projeto Modum.

 

Figura 3: Vídeo de como funciona o Modum na prática.

 

Então a solução da Modum inclui sensores IoT (que são colocados dentro das caixas junto com os produtos), aplicativo de celular, servidores online e disponibilização de um Dashboard para acompanhamento da mercadoria (tracking), visualizações dos dados, além dos contratos inteligentes, emitidos pelo sistema baseado nos dados lidos pelos sensores e nos limites impostos por quem enviou a mercadoria. O contrato inteligente final de entrega do produto possui a informação de que o transporte ocorreu nos limites de temperatura estipulados, um hash de todas as medidas feitas pelo sistema e um ponteiro para que se possa ter acesso a todas as medidas feitas pelo sistema (que estão públicos), em um banco de dados customizado em em PostgreSQL, por exemplo.

 

Do que o projeto Modum é composto.
Figura 4: Do que o projeto Modum é composto.

 

Abaixo está ilustrada uma imagem que explica de forma fácil como o sistema funciona. Cada sensor tem um número único que o identifica. Os dados são armazenados de forma segura e dois contratos são escritos, no envio da mercadoria e no recebimento, que inclui os dados dos sensores, medidos durante todo o transporte, que foram transferidos do sistema embarcado para o sistema via Bluetooth ou NFC por intermédio de um aplicativo móvel. Os contratos que estão rodando no Back-end são públicos e podem ser acessados neste link.

 

Projeto Modum explicado em detalhes.
Figura 5: Projeto Modum explicado em detalhes.

 

O Front End, dashboard, log de todos os sistemas climáticos (temperatura nesse primeiro momento) comunica com o servidor HTTPS do backend via Rest API e JSON. No Backend roda um full node Ethereum e executa o contrato inteligente do projeto.

 

Projeto Modum: Back End e Front End.
Figura 6: Projeto Modum: Back End e Front End.

 

Veja abaixo as especificações técnicas dos sensores, que também são protegidos contra violação (tampering protection) e com números únicos, que comprovam que os sensores são autênticos. A autenticidade dos dados é garantida pelo co-processador criptográfico, que cria assinaturas digitais para todas as leituras dos sensores e do valor de tempo. A chave pública de cada um dos sensores garante a transferência de dados do sensor para o aplicativo. A chave privada fica protegida pelo hardware do co-processador criptográfico.

 

Especificação do hardware do projeto Modum.
Figura 7: Especificação do hardware do projeto Modum.

 

Além disso, múltiplos níveis de acesso ao sistema são fornecidos a quem o utiliza, permitindo segurança também do lado do dashboard ou do aplicativo de celular.

 

Finalmente, com essa tecnologia ficando mais acessível, será possível que o distribuidor envie com segurança medicamentos até o usuário final.

 

Venda direta do distribuidor para o cliente final.
Figura 8: Venda direta do distribuidor para o cliente final.

 

A visão dos fundadores é fazer com que hardwares muito baratos possam monitorar diferentes variáveis das mercadorias, do produtor ao consumidor e que esses hardwares possam também monitorar variáveis em tempo real e de forma segura, com cada hardware possuindo seu nó no Blockchain, com uma arquitetura descentralizada e confiável.

 

 

Modum.io AG - Empresa por trás do Modum

 

Quem está por trás desse token é a startup de tecnologia modum.io AG, fundada em 2016 e baseada em Zurich, na Suíça. Tem uma equipe formada por mais de 10 pessoas e tem parcerias com a University of Zurich e University of St. Gallen. A empresa lançou tokens à venda para viabilizar e financiar o projeto e permitir que os majoritários dos tokens tivessem possibilidade de voto nas próximas etapas do projeto.

 

Roadmap - O que vem por aí

 

Primeiro Trimestre de 2018

 

  • O sistema Modum entra em funcionamento na Suiça, na indústria farmacêutica, com monitoramento de temperatura. O Backend também suportará um outra tecnologia de Blockchain,  IOTA, NEO, Fabric, ETC ou Rootstock;
  • Ao menos mais uma variável será medida e integrada ao sistema, movimento utilizando acelerômetro;
  • Os objetivos de hardware foram conquistados neste semestre, confira no link.

 

Primeiro Trimestre de 2019

 

  • Ao menos uma variável a mais será integrada ao hardware, como luz ou umidade;
  • Mais duas tecnologias de Blockchain serão suportadas no backend, entre elas  IOTA, NEO, Fabric, ETC, Rootstock, Waves, Tezos, EOS e Cosmos;
  • Será entregue a próxima geração de sensores de interação em tempo real, com tecnologias emergentes, como LoraWAN.

 

Primeiro Trimestre de 2020

 

  • Ao menos uma variável a mais será integrada ao hardware, como luz ou umidade;
  • Será entrega a próxima geração de sensores de interação em tempo real, e um nó blockchain onboard. Com isso, uma arquitetura totalmente descentralizada será entregue.

 

Para verificar o mercado da MODUM, acesse o link.

Para visitar o whitepaper do projeto, acesse o link.

Para ver a evolução do projeto, acesse o medium do projeto no link.

 

 

Saiba mais

 

Segurança da Informação - Criptografia AES

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Thiago Lima
Apaixonado por sistemas digitais e circuitos eletrônicos, ja contabilizo 16 anos trabalhando com desenvolvimento de produtos eletrônicos. Formado na USP Sao Carlos, com mestrado em Engenharia Elétrica no Rochester Institute of Technology pelo CsF, atualmente lidero boa parte das operações do Embarcados, buscando levar conhecimento de sistemas eletrônicos para o Brasil. Experimentar o mundo das startups nos EUA foi transformador. La fui cofundador de uma startup de tecnologia chamada Una, sendo acelerado e incubado por um programa especial de Startups no RIT. Ao final, recebemos um prêmio de melhor startup do programa. No Laboratório Hacker de Campinas sou um dos entusiastas de novas tecnologias e apoio iniciativas da comunidade. Tambem participo de atividades comunitarias e sou um dos responsáveis pela Plataforma Ituiutaba Lixo Zero, onde escrevo regularmente artigos sobre redução de resíduos. Sou sonhador mesmo e quero acender a luz 😉

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Thiago, excelente matéria! Há algum tempo eu estava no aeroporto de vitória - ES e passei por um pallet com várias caixas de vinho de uma empresa que vende vinhos pela internet. A carga estava exposta a um calor de mais de trinta graus e imediatamente pensei que o comprador daqueles vinhos provavelmente estava imaginando que seu produto deveria estar acondicionado de forma adequada e protegido do calor.