As Novas Gerações do 555

Conheça as novas gerações do 555, que serve para tudo, como shield para muitas aplicações microprocessadas e até independentes.
555

Com a utilização cada vez maior de tensões muito baixas nas aplicações com baterias usando microcontroladores, muitos circuitos integrados tradicionais estão evoluindo rumo a versões que sejam compatíveis com estes circuitos. É o caso do velho conhecido 555, que serve para tudo, como shield para muitas aplicações microprocessadas e até independentes. Veja neste artigo um pouco sobre essas novas gerações do 555.

Todos que praticam eletrônica sabem o que um 555 pode fazer, bastando dar como exemplo os milhares de artigos e aplicações deste componente que temos na internet e até mesmo nos diversos livros que tenho publicado sobre ele.

NOTA DO AUTORPara os leitores que desejam saber mais sobre o funcionamento do 555, recomendo a leitura de um livro que publiquei sobre este componente.

Mas uma coisa que temos que considerar é que a versão tradicional bipolar, bastante antiga, tem características de consumo elevado e uma faixa de tensões de alimentação de 4,5 V a 15 V, fornecendo correntes de saída até 200 mA.

O passo seguinte na evolução deste componente foi a versão CMOS, que já podia funcionar com tensões de 2 e 18 V e apresentava um consumo bem menor, com altíssima impedância de entrada.

Uma característica importante desta versão CMOS é a baixa corrente de comutação, muito importante quando pensamos em projetos alimentados por bateria.

Conforme podemos ver pelo gráfico da figura 1, a versão bipolar tem um pulso de consumo muito alto quando comuta, o que pode ser difícil para uma fonte com baterias suportar, o que não ocorre com a versão CMOS.

Corrente na comutação no 555 Bipolar
Figura 1 – Corrente na comutação no 555 Bipolar

Com o tempo, o 555 foi se adaptando aos novos tipos de aplicação, já que se trata de um excelente shield para microcontroladores, por exemplo, no condicionamento de sinais de entrada ou ainda na saída para se obter características de acionamento diferentes das que um microcontrolador pode fornecer.

Percorrendo o catálogo de componente da Mouser Electronics encontramos dezenas de versões do 555 e até mesmo algumas que têm características justamente contrárias ao que analisamos neste artigo.

Encontramos versões do 555 para altas tensões, o que pode ser interessante nas aplicações automotivas, como o BD9555VM-C da Rohm para alimentações de entrada até 42 V e sinais de até 50 V!

Vamos então tratar de alguns destes circuitos integrados 555 especiais para aplicações modernas alimentadas por baixa tensão, incluindo shields e apresentando baixos consumos.

 

MIC1555/1557 da Microchip Technology / Micrel

Esta versão do 555 de baixo consumo da Microchip Technology / Micrel pode operar com tensões de 2,7 V a 18 V. Ela conta ainda com o recurso do shutdown em que é levada a um consumo de menos de 1 uA.

Na figura 2 temos o invólucro destes componentes que pode ainda operar como oscilador em frequências até 5 MHz.

Novas versões do 555 - Invólucro do MIC1555 e MIC1557.
Figura 2 – Invólucro do MIC1555 e MIC1557.

Com apenas um capacitor e um resistor, eles podem gerar sinais quadrados (50% de ciclo ativo). Na figura 3 temos as configurações típicas para o MIC1555 e MIC5557.

Novas versões do 555 - Configurações do MIC1555 e MIC1557.
Figura 3 – Configurações do MIC1555 e MIC1557.

No datasheet podem ser encontradas diversas outras informações importantes para projeto. Também ressalta-se a baixa resistência de saída de menos de 15 ohms.

Uma aplicação como voltímetro sonoro é mostrada na figura 4.

Voltímetro sonoro com 555.
Figura 4 – Voltímetro sonoro com 555.

ICM7555 e ICM7556 da Intersil (Renesas)

Estes componentes, com o datasheet revisado em 2016, têm como principal destaque os invólucros DIL para montagem em matriz de contato, sendo a versão 555 simples e a 556 dupla.

Os componentes são CMOS, apresentando uma corrente de consumo de 60 uA para a versão simples e 120 uA para a versão dupla. O Datasheet pode ser acessado aqui.

A faixa de tensões de alimentação vai de 2 a 18 V e a frequência máxima de operação é de 1 MHz.

Na figura 5 temos os invólucros.

Os pinos desses circuitos integrados 555.
Figura 5 – Os pinos desses circuitos integrados 555.

O diagrama de blocos é mostrado na figura 6.

Blocos funcionais do 555.
Figura 6 – Blocos funcionais do 555.

As configurações para os circuitos astável e monoestável são as mesmas das versões tradicionais.

BD9555FVM-C – Versão do 555 de alta tensão da ROHM

O que diferencia este componente das versões tradicionais do 555 é sua capacidade de operar com tensões de entrada de 4.5 a 42 V épicos de 50 V.

Estas características o tornam ideal para aplicações automotivas, tanto como timer ou como oscilador, por exemplo, no controle de módulos de LEDs.

Na figura 7 temos a disposição dos pinos para este componente.

Disposição de pinos do BD9555FVM-C.
Figura 7 – Disposição de pinos do BD9555FVM-C.

Na figura 8 temos um circuito típico de aplicação.

Circuito típico de aplicação do BD9555FVM-C.
Figura 8 – Circuito típico de aplicação do BD9555FVM-C.

Mais detalhes no link.

Conclusão

O circuito integrado 555 deixou de ser apenas um componente único de muitas utilidades para quem precisa de aplicações em temporização ou condicionamento de pulsos. O 555 hoje é uma família de tipos com características específicas que se adaptam a uma infinidade de aplicações.

Do microcontrolador, passando pelas aplicações IoT e vestíveis, vamos até as aplicações em eletrônica embarcada e industrial.

Isso significa que na escolha da sua versão o projetista deve estar atento para as características mais importantes que o componente deve ter, como, por exemplo, tensão de alimentação, consumo, faixa de frequências, disponibilidade de recursos adicionais como o shutdown, etc.

Analisando os tipos disponíveis na página que demos no início do artigo, o leitor pode contar com o acesso rápido a uma infinidade de versões do 555 que a todo dia aumenta com o lançamento de novos produtos.

Saiba mais

Conheça o circuito integrado 555

Utilizando o 555 como comparador de tensão

Oscilador simétrico de onda quadrada com 555

Newton C. Braga é um dos mais influentes escritores sobre tecnologia e eletrônica do Brasil, com mais de 150 livros lançados no Brasil e no Mundo. Atualmente é sócio-proprietário do Instituto NCB onde disponibiliza todo o material já publicado por ele e sua equipe, o qual trabalhou nas publicações técnicas Saber Eletrônica, Eletrônica Total, Mecatrônica Fácil e Revista PC & Cia. Além das publicações técnicas nacionais, o prof. Newton C. Braga foi articulistas das Mundo Electrónico (Espanha), Revista Haut Parleur e Eletronique Pratique (França), Saber Electrónica - Mexico, Colombia e Argentina, Revista Poptronics (USA), SWL Magazine (Japão), Canadian Broadcasting Corp. (CBC) entre outros. Para os leitores que queiram entrar em contato com o Prof. Newton é só enviar um e-mail para leitor@newtoncbraga.com.br.

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Carlos Eduardo Affonso Henriques
Carlos Eduardo Affonso Henriques
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18/09/2019 09:58

Prof. Newton! Esse cara é uma lenda viva. Hoje estou com 52 anos de idade e ainda me lembro quando fiz minhas primeiras montagens… A primeira vez a gente nunca esquece… Um pisca-pisca de LEDs num multivibrador monoestável com 2 BC548 era uma gambiarra muito feia com solda 40×60 quando tinha meus 12 ou 13 anos. A muito que eu não mexia com o 555, já fiz de tudo com ele, desde bugigangas, timers, inversores DC/AC, ignição eletrônica para um fusca velho, Até para comandar uma piscina de ondas artificiais quando um raio fritou a CLP! Ainda não ví algo… Leia mais »

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